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domingo, 10 de janeiro de 2016

S. GONÇALO DE AMARANTE

APL 986

S. GONÇALO DE AMARANTE
São Gonçalo de Amarante era filho de uns agricultores de Guimarães.
Um dia, houve uma festa na sua aldeia. Os seus pais foram à festa e disseram a São Gonçalo para ficar em casa a guardar o milho dos pássaros que estava na eira a secar ao sol.
São Gonçalo queria ir muito a essa festa. Então chamou os passarinhos e guardou-os no beiral. De seguida, foi para a festa. Os pais, quando o viram, disseram-lhe que, se chegassem a casa e os pássaros tivessem comido o milho, levaria uma grande tareia. Então São Gonçalo contou-lhes o que se tinha passado.
Quando chegaram a casa, os pais ficaram muito admirados com o que ele tinha feito. Abriram o beiral e os passarinhos foram todos embora.
Como São Gonçalo não gostava de Guimarães, pegou na sua bengala e atirou-a ao ar, indo cair a uma terra chamada Lixa. Ele não gostou daquela terra e atirou-a novamente, indo cair em Amarante. Aí ficou e começou a construir um mosteiro. Como não tinha como levar a pedra, pediu a um agricultor para lhe emprestar os bois e o carro.
O agricultor disse que lhos emprestava, mas havia um problema: os bois eram muito bravos. São Gonçalo disse que não se importava e que ficava na mesma com eles. Quando os tomou, os bois ficaram mansos.
Depois de acabar de construir o mosteiro, os pedreiros não tinham como descer e atiraram-se abaixo.
O primeiro que saltou disse:

– Valha-me Deus!
Este caiu e sobreviveu.

O segundo disse:
– Valha-me a minha mulher!
Caiu e morreu.

O terceiro disse:
– Valha-me São Gonçalo!
Sobreviveu.

Um dia, São Gonçalo desapareceu. Dizem que ele está por debaixo do mosteiro, num túnel que vai dar ao rio Tâmega. Dizem também que todas as semanas vai lá um homem cortar-lhe a barba.

Fonte BiblioAA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás -os-Montes e Alto Douro, 2003 , p.CR3

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