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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

MUSEU RURÃO DO MARÃO: A IDENTIDADE LOCAL REUNIDA NUM SÓ ESPAÇO



Junto à Quinta do Encontro, em Vila Seca, encontramos o Museu Rural do Marão.


Siga-nos em mais uma viagem pela freguesia de Gondar. 


MUSEU RURAL DO MARÃO
O Museu Rural do Marão foi inaugurado há cerca de seis anos, a 21 de Fevereiro de 2009. O edifício, situado em Gondar está instalado no antigo Engenho de Azeite existente na Casa do Encontro, no lugar de Vila Seca, fundado nos anos 30 pelo Doutor Álvaro Pereira de Vasconcelos, com o propósito de vir a servir as quintas pertencentes à família Teixeira de Pascoaes, a saber: Quinta do Encontro; Quinta da Cancela; Quinta do Penedo do Corno; Quinta de Mateus; Quinta das Ribeiras; Quinta da Ovelhinha e Quinta do Souto. Num esforço conjunto entre a Junta de Freguesia de Gondar, na pessoa do Prof. António Bastos Teixeira e do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante, Dr. José da Cunha Abreu nasce assim este local.

Este espaço alberga desde então um espólio que visa a promoção e divulgação cultural da região. Nele, podemos deslumbrar artefactos que marcaram as gerações dos nossos avós, num reviver emocionante das tradições de um povo. Da olaria à tecelagem, passado pela cestaria, permite-nos compreender e descobrir usos e costumes narrados em livros da especialidade.

Um Museu Rural que cumpre em termos de construção o legado deixado, levando-nos a um passado que pretende ter presente um olhar sobre ele.


A reconstrução do museu rural manteve inalteráveis as disposições do lagar manual, podendo assim, identificar-se três espaços concretos:

Após o árduo trabalho da vaca (1) que accionava o engenho da moenda (2 e 3) durante várias horas, as azeitonas eram moídas (4) até constituírem uma pasta.

Após esta acção, o Engenheiro verificava se a massa estava preparada para o próximo passo. Para tal mergulhava uma enxada na massa e de seguida raspava-a contra a mó para ver se esta aderia ou não. Aderindo, esta era retirada e levada em gamelas para ser colocada em seiras (7). 

Seguia-se para a prensa (6). O número de seiras podia variar entre 9 a 12, depois de estarem todas colocadas na prensa dava-se início ao aperto manual. Este era um serviço muito cuidadoso, era necessário que as seiras fossem apertadas muito lentamente para que o azeite pudesse ser extraído (8).

Depois deste aperto máximo as seiras ficavam trinta minutos a escorrer, para passar para a caldeação.
Nesta operação era utilizada a caldeira do lagar (5), onde era aquecida a água necessária. Depois de “quebrada” e remexida a massa do interior das seiras, estas eram abertas, e era-lhes colocado uns paus ao alto que as mantinham abertas, e de seguida era-lhes deitada água bem quente. Esta água quente fluidificava a massa de azeitona que já havia sido prensada, e ao mesmo tempo iria permitir o desprender de azeite que esta massa ainda continha. Esta operação permitia que a vara fosse novamente accionada, de forma a realizar novo “aperto”. Findo este tempo, era colocada água quente à volta das seiras, para que o azeite que estivesse fora também pudesse escorrer.

O azeite ia escorrendo para o funil e caía no depósito (9), seguidamente, no tesouro era mexido com uma jibardeira (9). Aqui, o Engenheiro verificava se o azeite se encontrava totalmente limpo, para tal deitava água quente (o bagaço era utilizado como combustível para aquecer a água) no tesouro, controlando a saída do azeite Durante essa saída do azeite, as borras que ficariam desse processo eram conduzidas para os dois pios existentes, sendo que estas borras pertenciam sempre ao caseiro (10).


Nos finais do séc. XVII e inícios do séc. XVIII existem várias referências sobre oleiros naturais das freguesias de S. Pedro de Paus e S. Martinho de Mouros, que se casam e instalam nos lugares de Vila Seca e Rio. No entanto, não sabemos ao certo os motivos pelos quais, estes habitantes escolheram Gondar para se fixar. Contudo, poderemos afirmar que a escolha da zona sudoeste da freguesia de Gondar não terá sido em vão. Para além do peso da romaria de S. Gonçalo de Amarante terá exercido sobre as gentes do Douro Sul, o relacionamento comercial de vários pontos das Beiras com Amarante, mormente pelo nó viário constituído por Gondar ao implantar-se no eixo de ligação do Sul do Douro com a região do Porto e de Guimarães. A frequente presença de mercadores da Serra da Estrela nesta zona pôde certamente ilustrar algum movimento.

Logo no início do séc. XVIII a instalação de oficinas de olaria junto aos eixos viários que fazem a ligação de Amarante, Vila Real e Mesão Frio/Lamego multiplicaram-se, constituindo um arco em torno das aldeias de Vila Seca, Rio, Outeirinho e Corujeiras, em Gondar e facilitando o aparecimento de uma oficina no lugar da Torre, da freguesia de Padronelo.

Já no séc. XIX a expansão do centro oleiro atinge a sua máxima amplitude, alargando-se para os lugares de Moutas, Estrada Nova, Mosteiro, Larim, Valinhas, Escondidinho, Chedas e Vale de Moinhos, em Gondar, e para as freguesias de Padronelo, Bustelo, Carneiro e Carvalho de Rei. (DINIS & AMARAL: 222-225)

De seguida, deixamos apenas uma pequena amostra do que poderá ver neste Museu, que une a história, a cultura e a identidade de um povo. 

O pão era amassado na gamela, para depois ficar a levedar

 O semeador com que se semeavam os cereais

Cozinhava-se ao lume. A luz essa, era a luz da candeia a petróleo

Peças com dezenas de anos

A roca de fiar o linho

O ferro que funcionava a carvão

Arte Sacra trabalhada em barro. Na imagem, Santa Maria de Gondar


Dos assadores, às chocolateiras, aqui tudo era feito em barro

A cestaria também aparece representada neste museu

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