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quarta-feira, 13 de maio de 2015

A FÉ


Fé, s. f. Crença. Convicção. Crédito na existência de um facto. II O conjunto de dogmas e doutrinas que constituem o culto católico. II A religião católica. II A primeira das três virtudes teologais. II Fidelidade a promessas ou compromissos.

Silva, António de Morais, in Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, Horizonte Confluência



Vive-se hoje, um dia especial para todos os católicos portugueses.
PAULO SANTOS SILVA 

O dia 13 de Maio. 

Neste dia, milhares de peregrinos acorrem ao Santuário de Fátima, expressando desta forma o seu fervor religioso em honra de Nossa Senhora de Fátima. Alguns deles, viajam especialmente neste dia ou na véspera para assistir à Procissão das Velas. Outros percorrem centenas de quilómetros a pé, cumprindo desta forma as promessas realizadas em determinado momento da sua vida. Estas promessas, realizadas em momentos de maior ou menor fragilidade emocional, levam-nos a refletir sobre o significado e a dimensão que a Fé pode assumir dentro de cada um de nós. 

Antes desta reflexão importa, porém, dizer que estas aparições terão começado em 13 de Maio de 1917 e se terão prolongado por vários meses. Comemoram-se, pois, os 99 anos decorridos desde a primeira vez em que Lúcia, Jacinta e Francisco terão avistado “uma senhora mais branca que o Sol” sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria. Os relatos destas aparições foram redigidos pela própria Irmã Lúcia, já depois de ter sido ordenada freira pela Ordem das Carmelitas Descalças, a partir do ano de 1935 em quatro manuscritos habitualmente designados por Memórias I, II, III e IV.

Refletindo, então, sobre o significado e a dimensão da Fé, podemos questionar: 

Será que uma crença, uma convicção em algo ou alguém que desconhecemos é racional? 

Será que na verdade, conhecemos algo ou alguém que nunca vimos? 

Até que ponto é que essa crença nos pode levar a prometer (e cumprir) algo que nos leva em tantos casos, a superar os limites da nossa própria força física?

Se em relação às duas primeiras questões, a resposta é difícil e se encontra nas convicções de cada um, mais ou menos formatadas por uma educação religiosa, a resposta à terceira questão já encontra razões que poderão ter explicação em momentos de grande fragilidade emocional, em que as pessoas não encontrado respostas aos seus problemas em mais lado nenhum, recorrem em “desespero de causa” à sua Fé ou, em grande parte dos casos, a uma Fé que não sendo sua lhes parece ser o único caminho a seguir. A verdade é que Fátima (à parte ter sido um dos baluartes do Estado Novo, através da trilogia Fado, Futebol e Fátima), tem sido um lugar de devoção e peregrinação de povos de todo o Mundo, altamente valorizado pelo próprio Vaticano, tendo já recebido a visita de diversos Papas e contando desde já com a promessa da presença do Papa Francisco em 2017, aquando das comemorações do Centenário das Aparições. Será discutível o “negócio” que gravita à sua volta, relacionado com as questões da Fé em Nossa Senhora? É, certamente. Mas também o é em outros Santuários ou, até mesmo no próprio Vaticano onde uma visita guiada à Basílica de São Pedro poderá custar na ordem dos 25 euros, tendo a duração de 1 hora e dez minutos. 

Voltando à reflexão e agora de uma forma mais pessoal, confesso que não fico indiferente. O mês de Maio traz-me boas e nostálgicas recordações de quando criança, acompanhava a minha mãe à Igreja para a novena. Talvez nessa altura não entendesse muito bem o significado. Talvez ainda hoje não entenda. Talvez ainda hoje (felizmente, digo eu…) não entenda porque é que as pessoas dão voltas de joelhos à Capelinha das Aparições ou descem o caminho desde a Cruz Alta até ao Santuário, de joelhos ou a rastejar. Mas sinto saudades das idas com a minha mãe à novena. Sinto saudades de quando ela, não podendo ir à Igreja, a ouvia na Rádio Renascença. E emociono-me cada vez que vejo as imagens na televisão da Procissão das Velas. Não consigo explicar porquê. Ou se calhar, consigo. É a minha Fé. 



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