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sábado, 10 de janeiro de 2015

EM DIA DE S. GONÇALO


“São Gonçalo de Amarante
Jovem e rapioqueiro
Venerado por tanta gente
Morreu a dez de Janeiro.”

ANTÓNIO PATRÍCIO
Entre quadras mais ou menos brejeiras e rogações solicitando protecção ou cura, São Gonçalo , tem vindo, através dos tempos, a ser um exemplo de vida, de trabalho e de missão.

A sua história e o seu apego às questões sociais granjearam-lhe a admiração não só popular como, também, a dos senhores que, ao tempo, administravam o vale do Tâmega e as várzeas e montados envolventes.
A fama dos seus prodígios levaram longe o seu nome e, umbilicalmente ligado, o de Amarante.

Se, ao tempo, as histórias se fundiam, hoje, continuam a fundir-se pois, seria impensável falar de São Gonçalo sem falar de Amarante ou, vice-versa.

São Gonçalo, beato canonizado pelo Povo, se não é o santo mais popular do norte do Portugal é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores e mais populares. Venerado com novenas e clamores, cantigas populares e hinos religiosos mantém-se actual e visitado por milhares de pessoas quer no seu “túmulo” quer na sua capela de ex-votos e agradecimento de graças concedidas.

Iconografado, normalmente, de bengala, vestido de frade dominicano, de livro na mão esquerda e ponte aos pés é-o, por vezes, também, como peregrino, de bordão com uma vieira, com peixes na mão ou aos pés e, como fundo, uma ermida e uma ponte.

Imagem única e muito elucidativa de um dos seus prodígios, que mais sensibilizou as gentes da época, encontra-se na fachada do convento de Santo Estêvão, em Salamanca – de bordão na mão direita sustenta, na esquerda, uma ponte – que, queiramos quer não, foi a obra que colocou Amarante, de novo, como localidade de passagem obrigatória. Do litoral para o interior parava-se em Amarante para retemperar forças e pedir protecção a São Gonçalo para enfrentar os perigos e a rudeza do Marão; do interior para o litoral para agradecer a São Gonçalo o ter-se chegado são e salvo e agraciar estômagos e bestas com a boa gastronomia e o bom vinho da terra. Hoje, isto, ainda é verdade.

O povo, na sua ancestral sabedoria e devoção muito própria para além de degustar e guardar como talismã os figos – símbolos da fecundidade – benzidos e dados à rebatinha no fim da missa de festa ainda fabrica um doce, de massa muito rústica, de forma fálica, que chegou até aos nossos dias e que, supomos, ser um resquício de um culto pagão à fecundidade e adossado, pelos nossos de antanho, ao nosso padroeiro como graça dos seus encómios ao casamento e numerosas proles.

Todas estas formas de culto, em meu modesto entender, em nada desmerecem as virtudes do Santo, muito pelo contrário, são valores que o fazem querido das gentes e o continuam a fazer diferente e a levar aos mais recônditos lugares do mundo.

São Gonçalo não é só nosso. A sua veneração há muito que ultrapassou rios e mares e, em muitas localidades, é o orágo predilecto e seu nome próprio.
O Brasil é, sem dúvida, o país onde a sua veneração ultrapassa, por vezes, a razoabilidade pois, para além das demonstrações de carácter religioso abundam as de carácter folgazão e mundano, de uma riqueza e brilho sem comparação. As “Gonçalinas” ficaram registadas na história brasileira e, ainda hoje, são tema de conversa e tertúlia.

Advogado das doenças do corpo e do coração, São Gonçalo, é um Homem Santo e foi um Santo Homem que continua a fazer ouvir a sua voz através de todos quantos o veneram e glorificam e se esforçam em torná-lo mais conhecido. Como ele rezemos cantando, trabalhemos rezando e, quando chegar a hora de abraçarmos a Vida, o façamos rodeados daqueles que nos ajudaram a ser felizes.

“São Gonçalo milagreiro
Pôs a fonte a deitar vinho
Fez do rapaz solteiro
Fiel e bom maridinho.”

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