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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

“TENHO TANTO ORGULHO EM FAZER PARTE DESSE PEDAÇO DE SONHO EM QUE TE TORNASTE” *

MÁRCIO MARTINS
Há três dias, a minha colega Rosa Maria Pereira trouxe à Escola onde ambos trabalhamos um jovem, o Márcio Martins, que tinha ficado tetraplégico, depois dum desafortunado mergulho no Tâmega.
GABRIEL VILAS BOAS

Depois duma pessoalíssima apresentação, feita pela professora e amiga Rosa Pereira, o Márcio deixou-nos um fortíssimo testemunho sobre a sua situação de Deficiente. Impressionou-me… emocionou-me!

O quotidiano de um deficiente não me é estranho, pois convivo familiarmente com ele desde que me conheço, mas, de quando em vez, dou de frente com uma outra história de vida que me sensibiliza profundamente. 

O caso do Márcio Martins (sobejamente conhecido em Amarante) é mais um, entre muitos, em que a extraordinária força de viver e a capacidade de superação dum jovem, para quem o destino foi cruel, revelam o melhor que o ser humano tem para oferecer à vida. 

Durante uma hora, ouvi um rapaz feliz, sem mágoa do destino e determinado a tornar a sua vida extraordinária e única. Vi e senti uma pessoa maravilhosa dar um testemunho realista da sua condição de deficiente. Os seus olhos transbordavam confiança na vida e as suas palavras eram serenas e conscientes. 

A plateia de adolescentes ouviu-o, com atenção e respeito. Talvez ainda não tenham a perfeita consciência das angústias, desilusões, conquistas que o Márcio viveu, mas perceberam o essencial: uma pessoa deficiente não pode fazer muitas das ações que executamos quase que mecanicamente, mas pode e deve ser tão feliz como qualquer um. Para isso precisa duma força de vontade eterna e precisa de nós!

O deficiente precisa que façamos parte da sua existência!

A primeira coisa a fazer é não desviar o olhar nem mudar de passeio. Depois, há que arrumar, no baú do esquecimento, aquele olhar de comiseração, que não interessa a ninguém. Há inúmeras atividades e conversas que podemos ter com eles tal como o faríamos com qualquer outra pessoa. Eles não precisam de sentir a diferença quando ela não é obrigatória. 

Noutras alturas, precisarão que guiemos a cadeira de rodas, que empunhemos o guarda-chuva, que os ajudemos no centro comercial. Necessitarão que nos lembremos que existem quando projetamos um edifício, quando organizamos um evento ou planeamos uma atividade lúdica. Obviamente, reclamam um tratamento especial porque têm de o ter.

Não sei se temos educação e sensibilidade suficientes para cumprirmos o nosso papel junto deles, mas sei que muitos deficientes nos dão, diariamente, enormes lições de coragem, determinação, sensibilidade, serenidade, otimismo, vontade de viver.

* Rosa Maria Pereira sobre Márcio Martins.    

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