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sábado, 1 de novembro de 2014

A EXISTÊNCIA DÁ QUE EXPERIMENTAR

A temática reportada não está convencionada nem é consensual, mas nem por isso deixa de ser um domínio
J. EMANUEL QUEIRÓS
sensível do saber empírico universal. Embora receptiva à investigação e ao apuramento da fenomenologia, normalmente é ignorada ou mal compreendida na sua natureza. 

Nem tudo o que sentimos e pensamos são sensações ou pensamentos gerados por nós, justificados pelo desfiar consequente do curso da vida ou resultantes das experiências que a todo o instante somos submetidos. Em situações limite, são tão comuns factos extraordinários miraculosos, ditos ‘do outro mundo’, ocorridos com pessoas comuns que as ciências não explicam, como acontecimentos demoníacos imputados ao tresloucado que não é louco. 

A forma como nos posicionamos e como a aferimos o mundo diverge em cada um de acordo com as crenças, os preconceitos, a sensibilidade individual, o domínio da própria experiência existencial. No entanto, as condições físicas da realidade que nos é dada usufruir são comuns a todos. 

A realidade em que estamos inseridos e construímos em partilha nas diversas escalas de observação está para além do domínio da matéria aferida na forma 3D comum – caso dos planos do pensamento e dos sonhos. Mas a falta de esclarecimento e de padrão de aferição tangível dos domínios físicos subtis que lhe sucedem ou que o precedem e que o transcendem, podem tornar os indivíduos mais vulneráveis na sua orientação e na sua conduta, sujeitos a pressões que determinam racionalidades desumanas, comportamentos transviados, actos gratuitamente violentos difíceis de reconhecer no humano, de evitar e de categorizar como exógenas. 

Pelo conhecimento consensualizado e pelos ensinamentos recebidos, o mais comum é o indivíduo crendo-se, por si mesmo, uma totalidade íntegra, isolada e impermeável, assumindo como suas simples mudanças de humor e sensações de angustiadas formas de estar no mundo. Tratando-se de experiências comuns da existência, são reportadas a alguma categoria de morbidez de personalidade humana e tendencialmente remetidas para categorias do foro clínico, ficando ignoradas de quase todos como lacunas na educação, na formação e na preparação do indivíduo para a vida. 

É, sobretudo, ao nível psíquico que esta tipologia de fenómenos se tornam mais intoleráveis e ameaçadores. Mas processos semelhantes possuem efeitos diferenciados consoante a influência e a gestão que, num determinado momento, o indivíduo pode ser sujeito. As perturbações ou os distúrbios de conduta, da moral e do humor, em referência, todavia, não são a causa do fenómeno patológico mental que normalmente direcciona para uma solução médica. Tal como uma indução sobreposta, são a manifestação ou o efeito reflectido no indivíduo contrário à vontade e à conduta, com origem externa, percepcionada no subtil campo electromagnético humano como um acoplamento energético de efeito perturbador. 

Este conhecimento é susceptível se obter em jeito de transmissão de conhecimento, de elucidação e de prevenção para uma emergência que exija reconhecimento e alerta, mas nada pode substituir a própria experiência com que se afere a cada instante o nosso próprio estado geral. 

O reconhecimento dessa realidade mais ampla do nosso mundo, embora não valorizada, ou menosprezada, não cessa de influenciar, de se manifestar e de estar presente, pelo que se releva uma temática imprescindível ao indivíduo no âmbito do auto-conhecimento e do reconhecimento do nosso próprio mundo.

O reconhecimento do nosso mundo físico por margens mais alargadas do que estritamente centrado na matéria que o estrutura e a percepção de que só assim é completo e íntegro, emerge como um roteiro existencial inevitável para o homem comum se abeirar da sua encoberta humanidade e corrigir a trajectória que o conduz.

Tal como outra qualquer competência que o indivíduo adquire, como andar, sentar, comer, pensar, falar, ler e escrever, também o controlo sensitivo deveria tornar-se de aprendizagem obrigatória em idades mais precoces com as quais teríamos, seguramente, uma sociedade constituída por indivíduos mais conscientes de si e cientes dos caminhos a seguir no mundo. Nesse estádio da obra humana, esta velha ordem em que o mundo está estruturado, necessariamente, terá de ser outra, assente em valores que até agora têm sido interditados ao cidadão comum.

Há um imenso campo de pesquisa a reconhecer, de fenomenologias humanas por explicar e de esclarecimento a alcançar sem temor de obscurantismo, de que as ciências e as pessoas têm estado alheadas, mas que possui verdadeira influência sobre o pensamento, o estado e a conduta do indivíduo. Se permitirmos que o exercício das humanidades se amplie em cada um de nós e descobrirmos, afinal, que contribuímos para um mundo construído às avessas, o paradigma humano mudará inevitavelmente e com ele operaremos as transformações que nos colocarão num plano mais elevado da vivência no estado da matéria.

A vida é um permanente desafio de auto-superação que requer permanente vigilância e a existência dá que experimentar…

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