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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CRISE NA «INSTITUIÇÃO FAMÍLIA»

HÉLDER BARROS
Enquanto docente do terceiro ciclo do ensino básico e secundário, não posso deixar de revelar alguma perplexidade e até preocupação, com a crescente degradação, muito próxima já do precipício, da Instituição secular que se consubstancia na Família.

É sempre cómoda a desculpa da falta de tempo e da recorrente alusão ao ritmo bastante acelerado da sociedade atual, por parte dos pais que, de uma forma geral, tentam postergar e deixar para segundo plano, a tarefa nobre de Educar os seus filhos. São sempre desculpas de mau pagador...

A Família é uma Instituição que sempre foi nuclear e de grande importância, desde as sociedades pré-históricas, em que a noção de tribo se cumpria de forma plena. Por esse tempo, o sentido gregário dos humanos, começava-se a cultivar no seio familiar e expandia-se à Tribo. Saliente-se o papel preponderante dos mais velhos de então, sempre os mais ouvidos e respeitados, verdadeiros anciões do templo... 

Pelo que tenho lido e ouvido, se recuarmos aos primeiros tempos da fundação da nossa nacionalidade, torna-se possível constatar que na organização sócio-política de então, estribada numa Monarquia Tradicional, a Família era também um dos pilares mais importantes da sociedade. Repare-se que, desde que somos nação, vivemos muito tempo nesse regime político.

O modelo de organização social vigente em Portugal, com uma forte inspiração nos arquétipos seguidos pelos países do Norte da Europa e da América, privilegia o culto do individualismo, liberalismo político, económico e dos costumes. Penso que essa característica marcante vai contra a nossa maneira de ser, a da nossa Portugalidade e é, a meu ver, quase contranatura. 

A nossa forma ancestral de viver em família e em lógicas de cooperação onde prevalecia o espirito de entreajuda grupal, em que a noção de boa vizinhança, de cumprimentar quem passa, de conversar em grupos, que nem Salazar e a PIDE calaram, tem muito mais a ver com o nosso espirito latino e Português.

Este vasto introito para referir que, quando qualquer Pai ou mãe, no papel efetivo de Encarregados de Educação dos seus filhos, decidem irromper por uma qualquer sala de aulas, de uma qualquer escola portuguesa e agridem um Professor, devido a um putativo abuso deste no exercício das suas funções docentes, baseados apenas na versão que os seus educandos lhes apresentam; nem sonham o mal que lhes estão a fazer, por via do seu péssimo exemplo, da negação da Educação...

E não, não sou monárquico, afirmo-me republicano e democrata, mas consciente que todas as grandes civilizações terminaram um dia... e a nossa caminha muito depressa para a destruição, num processo autofágico, e se não arrepiarmos caminho, um dia poderá ser já tarde demais! 

Não sou é maniqueísta, procurando nas raízes da nossa história os aspetos que mais nos elevaram e os princípios que estiveram na base da sustentabilidade da nossa velha e grandiosa nação, embora pequena em dimensão territorial, mas que sempre teve um ímpeto expansionista, ao nível da conquista de novos lugares e de novos saberes, acrescentando sempre mais mundo ao Mundo!



Mas, a parte negra disto tudo, é assistirmos a inúmeros casos deste género nas Escolas Portuguesas e, não havendo recorrentemente consequências, estamos a lançar as sementes, não da Educação e da Formação integral dos nossos jovens, mas a preparar a germinação da ruína da nossa nação e da correspondente Portugalidade.

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