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sábado, 6 de setembro de 2014

CIVILIZAÇÃO, EDUCAÇÃO E EVOLUÇÃO

JOSÉ EMANUEL QUEIRÓS
DR
Anda disseminada pelo nosso Mundo um tipo de brutalidade que não é dele mas tem a sua marca associada ao estádio evolutivo do Homem.

Observando o decurso dos tempos e considerando os marcos da História do Mundo poderemos reconhecer que o Homem, genericamente, conserva e transmite uma matriz de natureza demoníaca que o leva a incorrer em múltiplas variantes de brutalidade comportamental, troglodita, invasora, abusiva, tribal e impulsiva, independentemente dos territórios, das culturas, das etnias, das sociedades, das famílias e, até, dos géneros.

Poder-se-á configurar uma evidência – não muito bem compreendida de todos, é certo! –, de que todos estamos num estágio interino terreno em distintos momentos de evolução emocional-mental-consciencial.
Se atendermos ao pulsar do mundo espelhado por cada um no seu meio, verificaremos como tudo está deliberadamente estruturado com o objectivo de manter o indivíduo condicionado pelo temor e pelo castigo aos normativos que fazem dele mais uma ovelha em pastoreio entre o redil e o açougue.

A educação ocidental aponta também para essa dominação do Homem através da ideia do saber e do conhecimento, como se o progresso e a evolução sejam algo absolutamente distante e exterior ao indivíduo, só possível de ocorrer em meios laboratoriais por mãos de cientistas. Assim não é, de facto!... Todos estamos com os pés no chão convocados para a transformação de nós próprios, por nossas próprias mãos (tal como uma alquimia!), nos contextos específicos em que cada um se encontra perante o outro e em que cada um é o cientista ao comando da sua experiência existencial com domínio sobre o seu próprio laboratório.

É essencial perceber que a realidade e a actualidade iniciam em cada um e nele terminam, e que é o indivíduo o protagonista de todas as acções que fazem mover a sociedade e o mundo.

No momento em que o sistema educativo integrar no seu paradigma o Todo (o cosmos) e a parte (o indivíduo) com o propósito da sua íntegra harmonização, então, aí, reconsiderando os objectivos do processo que o tornou universal deverá inflectir o seu rumo actual, orientando-o para os domínios da consciência, constatando o quanto tem contribuído para construir o Mundo às avessas, ao arrepio da Terra, do Universo e da omissão da própria humanidade que em cada um permanece oculta.

Em seu proveito individual, intrínseco e próprio, muito tem o homem comum (potencial fonte do crime) a reconsiderar a causa primeira da sua existência, aprendendo com os erros e a barbárie perpetrados sobre si e contra o seu meio, fazendo por erradicar de sua natureza essa dimensão impulsiva e ultra-selvática por que é dominado em circunstâncias de excepção cada vez mais comuns. Pelo seu lado, a sociedade, que se reproduz em cada um dos seus membros, também tem o dever de se reconhecer retardada pela ineficácia genérica das metodologias e ferramentas integrativas e punitivas de que dispõe e tem vindo a usar 'a priori' e 'a posteriori', para que possa ser plenamente assumida com semelhante valor civilizacional repercutido em todos.

No decurso da presente experiência existencial, muito pobres têm sido as 'cartas de marear' e a divulgação do conhecimento sobre as rotas e os portos do nosso mundo que em educação comum recebemos. De referir, concretamente, o deficitário modelo de educação que vem sendo adoptado para todos por igual, atingindo uns e passando ao lado de outros, perfeitamente eficaz no exercício e adestramento das capacidades intelectuais, mas absolutamente incapaz no que toca à descoberta do papel do indivíduo no Mundo, no entendimento do processo existencial e na procura individual de um permanente aperfeiçoamento, harmonização e pacificação interior.


O nosso Mundo tornar-se-á progressivamente menos agreste e mais suave assim que cada um souber que deve levar de vencida seus próprios adamastores.

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