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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

BANHOS PÚBLICOS? Eis a questão.

ALINA SOUSA VAZ
DR
Antes de tecer considerações sobre o tema proposto, reitero, desde já, o seguinte: Banhos Públicos? Continuem, se for possível, até durante o Inverno!

Partindo desta premissa, deixo, de forma evidente, a minha opinião sobre o assunto, ou seja, não critico ninguém que tome o banho público, porque por trás dessa atitude está uma ação ainda mais nobre que se relaciona com o ato solidário.

Todavia, no meu entender, existem três tipos de banhos públicos: O Ice Bucket Challenge iniciado nos EUA, para ajudar a Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS) Association, os Banhos Públicos em Portugal, lançados pela equipa das manhãs da Comercial, com a finalidade de ajudar a Associação Portuguesa de Esclerose lateral Amiotrófica (APELA) e os banhos sem sentido, título da minha autoria, aqueles que evitam pagar um jantar ao amigo sem fundo solidário algum.

Nos EUA há 30 mil pessoas com ELA, muito pouco se pensarmos que são duas pessoas em 100 mil, em Portugal os números apontam para 700 pessoas com a doença diagnosticada.

Nos EUA, a campanha pública no ano passado pela ELA deu 2,1 milhões, este ano, porque alguém se lembrou de inventar um vídeo do balde de água fria pela cabeça, elevou os números para 41 milhões, em Portugal, mal os desafios começaram, em menos de 48 horas a campanha já ia nos 10.000 euros.
Contudo à volta destes desafios tem-se criado uma grande celeuma, pois há pessoas que comentam os banhos públicos de forma negativa: “os banhos não ajudam ninguém”, “os donativos não chegam a quem de direito”, “que os famosos só querem é promoção”, “ que a água é um desperdício quando há crianças a morrerem à sede”…

Eu refuto, é evidente que era bom que todos estes baldes de água viessem sempre associados a um donativo, melhor ainda, que não fossem precisos estes baldes de água gelada para se evidenciar um tema tão sério e importante. Mas, com donativos ou não, os famosos das mais diversas áreas estão a conseguir passar a palavra e muitas pessoas e empresas acabam por fazer doações mesmo que não entrem no desafio. Só o facto de alertar para a doença a ação já é positiva, pois todos saímos mais informados desta corrente solidária.

Através deste fenómeno viral, um maior número de pessoas ficaram a saber que a ELA é uma doença neurológica que vai progredindo ao longo do tempo e os doentes vão perdendo a capacidade de movimentarem os músculos das pernas, dos braços, mas também de outros essenciais para mastigar, engolir, falar e até mesmo para respirar. A ELA não tem cura e afeta homens e mulheres, sobretudo a partir dos 40 anos. Apesar de já existirem medicamentos que atrase a evolução da doença por períodos de 3 a 4 meses, em média o tempo de sobrevivência é de 3 a 5 anos.


Colocar no facebook um vídeo a deitar um balde de água gelada na cabeça até parece ridículo, realmente parece, mas há tanta informação e fotografias ridículas por lá. Não queres água sobre a cabeça?! Então doa roupa, alimenta um sem-abrigo, deposita 2 ou 3 euros em contas de crianças com doenças graves e ou com necessidades especiais. 

Mas NÃO CRITIQUES, FAZ!

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