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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DA INFORMAÇÃO À SABEDORIA

GABRIEL VILAS BOAS
DR
Se há coisa que caracteriza os tempos em que vivemos é a informação. Ela está disponível por todo o lado, em múltiplas formas e em quantidades que ultrapassam a nossa capacidade de absorção.
E é aqui que a angústia se instala para quem pretende transformar informação em conhecimento e, através deste, alcançar um estado de satisfação pessoal.
Recorrentemente cometemos o clássico erro de querer chegar a tudo. Por avidez, por vaidade, por ignorância. Transferimos a ideologia consumista para um mundo que é, essencialmente, espiritual. Só podia dar mau resultado!
Processar informação em conhecimento dá muito trabalho e não é suscetível de causar inveja social, esse novo elixir da juventude e do ego.
O conhecimento anda devagar pela vida. Foi feito para saborear e para partilhar e por isso dá-se muito mal em pistas de Fórmula I. O conhecimento não é vaidoso, ávido ou invejoso, muito menos sectário ou preconceituoso, porque sabe que esses são predicados dos ignorantes.
A primeira qualidade do sábio é a humildade. O seu conhecimento será sempre, e por definição, limitado. O sábio possui ainda outra virtude: a frugalidade. Ele não ambiciona possuir toda a informação nem a quer só para si.
A primeira demonstração de sabedoria que podemos ter num mundo a abarrotar de informação é saber selecionar. Selecionar não é excluir, mas antes hierarquizar, escolher aquilo em que nos vamos concentrar.
Quando absorvemos corretamente esta ideia, o conhecimento tem muitas hipóteses de se tornar um prazer. Segue-se o diálogo, a troca de ideias, a argumentação, a curiosidade… e assim se vai construindo um nível superior de satisfação intelectual.
A sabedoria alimenta-se duma vasta e diversificada informação, mas sem a digestão correta acaba por engordar e deformar o sábio, de tal forma que ninguém o aprecia nem ele anda satisfeito com o seu peso. Comeu demasiado, comeu mal. O mesmo se passa com muitos de nós quando lemos, vemos, ouvimos, viajamos com sofreguidão. O silêncio, a reflexão e o saber ouvir são excelentes mestres de vida.
Antoine Lavoisier dizia que na natureza “na se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Com esta máxima, aprendemos a transformar lixo em matéria-prima, mas primeiro tivemos de aprender a separá-lo para depois o reutilizar. Só quando aprendemos a separar o lixo é que este deixou de ser lixo. Toda a informação é importante, mas se não for hierarquizada acabará no cesto do lixo porque aquilo que não percebemos, cansa-nos e em pouco tempo desprezamos.
Claro que conhecemos melhor aquilo que amamos. O truque é amar a descoberta e deixar que as coisas, os sítios, as pessoas nos conquistem… lentamente.

Quem aprecia o prazer de comer inventou o conceito gourmet e no conhecimento precisamos de copiar a ideia porque desfrutar é um prazer de sábios.

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