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sexta-feira, 11 de julho de 2014

FORÇA E FRAQUEZA PSICOLÓGICA

Quando um engenheiro projeta uma casa ou uma ponte, uma marca automóvel lança um novo modelo ou a
GABRIEL VILAS BOAS
DR
indústria introduz no mercado um medicamento inovador, qualquer um deles faz testes rigorosos para verificar a fiabilidade, a resistência, a eficácia do seu produto. Só quando todos os critérios de qualidade estão cumpridos, o produto tem autorização para entrar no mercado. A exposição aos elementos da natureza, a resposta perante o imprevisto, a fiabilidade e a segurança quando os limites são atingidos e/ou ultrapassados são alguns dos critérios deste teste de stress.

As pessoas também são submetidas ao inesperado, a condições de vida totalmente novas e desafiadoras, mas para elas não há testes de stresse, porque falamos de emoções, sentimentos, afetos. São os diversos desafios que a vida lança a cada um os verdadeiros testes de stresse por que têm de passar. E é nesse momento que vem ao de cima a força psicológica de uns e a fraqueza de outros.

E cada vez mais ganhamos consciência de como esse é um fator decisivo no mundo profissional, social e pessoal em que cada um se move. É um fator de tal maneira determinante que muitos já contam com ele para fazer escolhas de pessoas nas empresas, para motivar ou intimidar no campo social. Na área pessoal, verificamos que muitas relações desmoronam ou evoluem conforme as pessoas sabem ou não conviver com as múltiplas solicitações com que este mundo de comunicação pré-íntima as seduz diariamente.

A segurança duma ponte, a fiabilidade dum carro ou a eficácia dum medicamento começa quando os seus criadores determinam os limites da sua ação, ou seja, conhecem os seus pontos fracos. Aí comunicam ao mercado as virtudes do produto, omitem as fragilidades e esperam o resultado.
As pessoas deviam fazer o mesmo. Definir, com o maior grau de rigor possível, aquilo que pretendem no trabalho, nas relações com os amigos e até nas relações mais íntimas, tendo em conta os seus valores, as suas reais ambições, a sua maneira de ser e estar. Devem ter ainda claro, os esforços e as cedências que terão de fazer para alcançar os seus objetivos. É necessário também ponderar o grau de compromisso dos outros connosco, aquilo que os move e o que estão dispostos a fazer para atingir os seus objetivos.

Quando fazemos este exame prévio sem confundir realidade com desejo, verificamos que há cargos que não nos importam mais do que um orgulho momentâneo, existem bens que não fazemos muita questão de ter e modas sociais que seguimos mais porque os outros também o fazem do que por convicção. Outras vezes concluímos que ainda não estamos preparados para enfrentar com sucesso determinada tarefa ou adversário ou simplesmente vemos que os outros são melhores ou têm razão ou têm o direito a escolher outro caminho.

Também podemos concluir que nos falta apenas coragem, determinação, capacidade de decisão. Mesmo esse problema tem resolução, ainda que seja preciso alguém nos dar um encontrão para dentro da piscina.

A nossa força psicológica começa quando abrimos os olhos para as fraquezas que temos, prossegue na determinação consciente do caminho que queremos e não queremos trilhar e acaba naquilo que Einstein definiu como “uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade ou a energia atómica - a vontade.”   

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