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quinta-feira, 12 de junho de 2014

PELOS SANTOS BEIJAM-SE AS PEDRAS

ANABELA BORGES
DR

Junho é o mês dos Santos Populares, com festas e arraiais por todo o país. As mais famosas são as festas de Santo António, de São João e de São Pedro.

As festas dos Santos terão as suas origens remotas na mitologia romana. Juno, esposa de Júpiter e rainha dos deuses, representada pelo pavão, sua ave favorita, deu origem ao nome do sexto mês do ano, Junho, em sua homenagem.

As festas joaninas, ou festas dos santos populares, são comemorações católicas, celebradas em vários países do mundo, historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul). Tais celebrações tiveram origem na Idade Média, conhecidas como as Festas Joaninas, Juaninas, ou Juninas. E se alguns afirmam que o nome está directamente relacionado com o nome “Junho”, outros defendem que, em Portugal, ficaram assim conhecidas graças a São João. 

Em Amarante, celebra-se uma das maiores romarias do país, denominadas as “Festas do Junho”. Celebradas sempre no primeiro fim-de-semana de Junho, são três dias muito intensos de festa, que atraem romeiros de todas as partes do país e muitos estrangeiros também. Estas, não temos dúvidas, são festas para celebrar o mês de Junho, o solstício de Verão. E são a grande homenagem a São Gonçalo, o santo padroeiro.

Nesta linha de ideias, São Gonçalo poderá ser considerado o primeiro na linha de sucessão dos santos populares. 

Tal como as restantes festas dos Santos Populares, as Festas do Junho têm direito a tudo: arruadas, ranchos folclóricos, cantores populares, bailaricos, marchas populares, tascas e tasquinhas, romeiros e romeiras, diversões, feiras, exposições, arraiais. É todo um conjunto de tradições de origem cristã, pagã, rural, cultural, sem dúvida com fortes raízes vindas das aldeias recônditas, em volta do vale que é a cidade de Amarante, muitas delas aninhadas nas fraldas do Marão. E vindas, sem dúvida, das eras encastradas nas camadas (in)solúveis do tempo. 

Diz o ditado popular que “Pelos Santos Beijam-se as Pedras”. É mesmo isso. A devoção às festas, numa mistura, sempre muito interessante de analisar, de pagão e cristão, leva as pessoas a embrenharem-se num espírito de alegria, fraternal, comunitário… e de devoção aos copos também. No passado fim-de-semana, a minha filha mais nova, a dada altura da noite, dizia “a festa cheira a bêbado”, e a avó respondia “não há festa sem bêbado”. 

É uma altura em que as pessoas se animam a sair de casa, a misturarem-se nas ruas, a sorrirem umas para as outras. É uma altura bonita do ano.

E, para não fugir à tradição, é a altura de pedir namoro ou de reforçar o que se tem. É tempo de dar oferendas quadras e versinhos, manjericos, ou os doces fálicos do São Gonçalo, e soprar palavras de amor. 

Quem não pede desejos de amor quando o fogo estoira no ar, cheio de efeitos e cores?

O amor, pois, ou não estivessem estas festas ligadas ao solstício de verão e a antigos rituais de fertilidade.

VIVAM OS SANTOS POPULARES!

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