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quarta-feira, 7 de maio de 2014

A.M. PIRES CABRAL: AUTOR TRANSMONTANO, PRÉMIO AUTORES SPA 2014

ALINA SOUSA VAZ
DR
Em abril, pela comemoração dos 40 anos de António Manuel Pires Cabral escrevi, por aí algures, que a Cultura é quando o homem sonha e coloca as suas ideias em ação. O elogio dado ao escritor foram meras palavras que escritas no mundo WEB deixaram de ser minhas e passaram a ser de quem as leu e as entendeu como eu.

Se abril foi comemoração, maio é confirmação da sua grandiosidade literária. Não é a primeira vez que o escritor ganha o “primeiro prémio”, mas no ano da comemoração dos seus 40 anos de escrita, o seu livro GAVETA DO FUNDO foi distinguido como a melhor obra de poesia.

Estou orgulhosa!!! Orgulhosa por ser transmontana, por acompanhar de uma maneira ou de outra o escritor de perto, de o conhecer e receber de si sempre palavras de afeto e respeito, de perceber que por estas terras há alguém que eleva o nome da região na área da literatura.

Refira-se que os seus Pais, Manuel do Nascimento Pires Cabral, farmacêutico, e D. Maria de Jesus Terra Cabral, dona de casa, eram naturais, respetivamente, de Alvites, Mirandela, e de Peredo, Macedo de Cavaleiros. Daí, apesar da sua fonte de inspiração ser tudo o que o envolve, as terras ímpares do nordeste transmontano são, sem dúvida, a sua eleição na hora do labor da descrição.  

Com esta obra, A. M. Pires Cabral regressa ao tema de Trás-os-Montes, em tom elegíaco, pois já tinha iniciado o seu trabalho com um fascinante conjunto de poemas com os quais iniciara o chamado «ciclo do Nordeste» («Algures a Nordeste», «Boleto em Constantim», «Douro: Pizzicato e Chula», «Arado» e «Cobra-d’Água»).

 «THip-hip-hurrah! Acabo de ser notificado de que o meu livro 'Gaveta do fundo' foi distinguido com o Prémio Autores SPA 2014 (Melhor Livro de Poesia). Quem está de parabéns é a minha Terra Quente.» Expressão que o poeta utiliza para transferir a sua felicidade nas redes sociais a todos aqueles que o seguem como eu. 

Esta terra quente é agora diferente da que ele conheceu outrora. Hoje, ela está despovoada e envelhecida, mas a coletânea revive, numa espécie de nostalgia, o rio Tua, as vinhas e furnas, a lavoura, a «guarda pretoriana» os gatos e cães, as rãs e vacas, as aves e pirilampos. Numa linguagem, por vezes, disfórica, o sarcasmo associado ao alegórico revela o seu estado de alma zangado com os que mandam e ditam os certames portugueses. Contudo, o poeta, também, revela comoção com tradições populares, simples e naturais que ainda dão vida às coletividades esquecidas no interior do país.

Pois bem, é hora de mais uma comemoração e espalhar por aí mais esta conquista. Uma conquista regional, mas cada vez mais nacional!

E proferindo as palavras do autor:
Há ocasiões em que a árvore tapa a floresta. Mas também há casos em que se dá o contrário: a floresta tapar a árvore. Penso nisso ao contemplar esta florzinha silvestre. A exuberância do todo ofusca, oculta os pequenos pormenores. Façam o favor de os descobrir. Vale a pena.

E feliz termino – hip-hip-hurrah!!!


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