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quarta-feira, 30 de abril de 2014

AS ORIGENS DO 1º DE MAIO: RELEMBRA E NUNCA ESQUEÇAS

ALINA SOUSA VAZ
DR
Os dias passam e o tempo é fugaz! Mas a memória não nos abandona a alma e surge como muleta de apoio na capacidade de recordação do todo. A memória será uma regeneração do passado nos momentos do presente e a identidade de um povo surge, baseada então nas lutas e conquistas dos nossos semelhantes.

Desta forma, falar do 1º de Maio, mais que uma data simbólica de homenagem, é marca de lutas e derrame de sangue. O respeito e a vénia, ainda que de forma inconsciente, deve acompanhar as nossas reflexões e de forma persistente continuar o legado que outros nos deixaram. É nossa obrigação!

Numa época em que “meio mundo” está desempregado, na sua maioria jovens, o dia comemorativo passa como mais um no meio de tantos dias de anseios e angústias. Contudo, abordar o que levou à comemoração do 1º de Maio, talvez seja pertinente. Porquê? Talvez nos sirva de inspiração para caminhar em frente sem mágoas e rancores daquilo que nos prometeram e não cumpriram. Continuemos a luta que estes homens iniciaram.

- Que lutas?! - Perguntas TU.
Lutas em busca de melhorias e direitos laborais. No dia 1º de maio de 1886, em Chicago, milhares de trabalhadores foram às ruas protestar contra as condições de trabalho a que eram submetidos na época e no mesmo dia, uma greve geral paralisou os Estados Unidos. Três dias depois, os trabalhadores foram reprimidos pela polícia e de forma violenta o caos instalou-se levando à morte vários manifestantes. Em 1891, realizava-se em França o Congresso Operário Internacional que convocaria uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago.

No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de Maio como feriado, seguindo-lhe, os mesmos passos, a Rússia.

São os factos históricos que transformaram o 1º de Maio no Dia do Trabalhador.
Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas, as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.
O 1º de maio alcançou ações de massas que se preconizaram desde o final da Monarquia, até ao longo da I República. Em 1919 foi conquistada a lei que reconheceria a alteração da jornada, as horas de trabalho passariam das 14 para as 8horas.
As greves e as manifestações realizadas em 1962 são, provavelmente, as mais significativas e carregadas de simbolismo, pois durante o Estado Novo as proibições e as repressões eram uma realidade. Porém a força imprimiu-se nas manifestações da capital bem como em todo o país: 100 000 em Lisboa, no Porto cerca de 20 000 e em Setúbal 5000.Trabalhadores como pescadores, corticeiros, telefonistas, bancários, trabalhadores da Carris e agricultores do Alentejo são ainda hoje símbolos de um marco indestrutível na história do operariado português.
Todas as conquistas percorrem um longo caminho. Em Portugal o 1.º de Maio com maior destaque no país foi aquele que aconteceu oito dias depois do 25 de Abril de 1974 e desde então o Dia do Trabalhador é o momento de reforçarmos a nossa consciência social e continuarmos a defender aquilo que estes homens deixaram.


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