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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

“ATÉ SER PRIMAVERA” LANÇADO EM AMARANTE NO PRÓXIMO SÁBADO



Anabela Borges, escritora amarantina
DR

Primeiro livro da inteira autoria de Anabela Borges, “Até ser Primavera” surge como uma antologia de dez contos onde impera o desespero da condição humana, a dar lugar à esperança na primavera da vida.
Até que ponto as coisas mais simples podem fazer alguém voltar a agarrar-se à vida, ou os mistérios inexplicáveis levam a desistir dela? Como se faz da intriga um modo de vida, ou se vive na cegueira de não ver o que está mesmo à nossa frente? Como justificar um aborto voluntário, ou viver com alguém que te faz a vida num inferno, como aguentar a perda daqueles que mais amamos, ou entender a saudade arrebatadora no fado do amor, como perdoar, ou gerir arrependimentos? São histórias que, há muito, te acordam o sono, te preenchem as memórias e te povoam os dias inquietos, para ler e refletir. Vale a pena acreditar na primavera da vida.
Apresentação pública na Biblioteca Albano Sardoeira,
sábado, 8 de fevereiro, 16h00
Este livro surge como o resultado da atribuição do prémio melhor conto da coletânea Ocultos Buracos, da Pastelaria Studios Editora, e inclui o conto vencedor.

Anabela Borges, em perfil

Anabela Carvalho Borges de Sousa Lopes nasceu a 22 de janeiro de 1970 em Telões, Amarante. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Anabela é professora do Ensino Básico e Secundário.
Confessa que sempre gostou de ler, de escrever, de cultura e das artes em geral. “Não consigo situar no tempo uma influência direta na minha escrita, mas vou contar uma história engraçada: nos anos 80 (era eu adolescente) participava nos concursos de poesia da rádio Emissora Regional de Amarante; venci o concurso por quatro vezes consecutivas, que era subordinado a temas variados e no qual participavam pessoas mais velhas que eu e com mais “bagagem” literária. Os poemas eram divulgados na rádio e havia prémios. Um dia, um tanto ao quanto tímida com a situação, e já ocupada com a minha entrada para a faculdade, deixei de participar. O poema mais antigo que tenho registado data de 1984, e foi redigido numa aula de Português. De uma forma geral, os professores sempre me incentivaram a escrever e o meu professor de Literatura do secundário era, sem dúvida, muito exigente e “puxou” muito por mim”, desabafa a escritora.

Todos os trabalhos que tem publicado foram sujeitos a seleção por parte das editoras

Merecem destaque na sua carreira, enquanto escritora, as suas mais recentes obras: Em outubro de 2011, com o conto “A Tundra (Cemitério de Memórias)”, na coletânea “Conto por Conto”, da Alfarroba Editora. “A Tundra (Cemitério de Memórias) relata a história de uma idosa, lúcida e independente, que nos conduz no tempo, através das suas memórias. A Tundra surge como o “cemitério de memórias” de uma povoação do Norte de Portugal, memórias atestadas de crenças, vícios, amizades e desavenças, numa história atemporal. Como pano de fundo, vai sendo ridicularizada a ameaça de uma perigosa pandemia, que, apesar de pairar como uma constante, nunca chega verdadeiramente a instalar-se”. 

Em outubro de 2012, edita um novo conto “A Pergunta (fim de linha)”, na coletânea “Ocultos Buracos”, da Pastelaria Studios Editora. É a autora a fazer-nos a sinopse da obra: “A vida tem os dias contados. E podes ver as coisas de duas maneiras: cada dia que passa pode ser mais um ou menos um na tua vida. Há memórias com as quais é difícil viver todos os dias. E qualquer dia pode ser o último. Até que ponto uma simples pergunta pode mudar o rumo dos acontecimentos?”

No final de 2012 edita o conto “Vianoce Natal”, na coletânea “Lugares e Palavras de Natal”, da Lugar da Palavra Editora - com a ação central em Bratislava, a história desenrola-se no seio de uma família pobre, com uma ligação a Amarante, terra natal da autora.

“Os meus “leitores” no Facebook são muito efusivos e simpáticos, deixam-me comentários interessantes e mensagens de incentivo à escrita”

Paralelamente aos contos que tem editado tem visto publicados alguns dos seus poemas na página do Facebook “Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen”, a convite dos gestores da página, os poetas Carlos Campos e Lília Tavares, “um projeto de mérito, de divulgação de poetas conhecidos e menos conhecidos, muito interessante, que convido a espreitarem”, desafia Anabela Lopes.

Dos concursos a que concorreu, dois deles visavam a uma distinção literária. Em 2011, foi vencedora, “ex aequo”, do prémio literário “Conto por Conto”, com o conto “A Tundra (Cemitério de Memórias)”, com a chancela da Alfarroba Editora. O prémio foi a publicação do conto. Já, em 2012, o seu conto “A Pergunta (fim de linha)” foi considerado o melhor da coletânea “Ocultos Buracos”, da Pastelaria Studios Editora, valendo-lhe o prémio da publicação de um livro da sua inteira autoria que será publicado na primavera.

Diz que anda sempre com o caderno diário – “É fundamental, porque tenho necessidade de anotar a ideia logo que ela surge. Utilizo cadernos pretos A4 dobráveis e de capa dura, porque já me tem acontecido escrever em cima dos joelhos, literalmente. Às vezes, é complicado, porque as ideias surgem-me quando estou a conduzir, e já me tem acontecido utilizar pedaços de toalhas de mesa de papel, na pausa para o almoço, quando não tenho o caderno comigo”.
“O meu sonho seria que cada jovem tivesse sempre um livro à cabeceira, para ler antes de adormecer como eu faço”

Gosta sempre de dar a conhecer tudo o que publica aos seus alunos: “eles sentem um certo orgulho, e vejo que isso lhes aumenta o interesse pelo livro e o gosto pela leitura. Tenho feito algumas visitas a escolas, com alunos desde o pré-escolar até ao secundário, e a recetividade tem sido muito boa. Fazem-me perguntas muito interessantes. São sempre experiências enriquecedoras”, confidencia. 

Em relação ao melhor momento para escrever destaca a tarde, “o que acontece mais aos fins de semana e em férias”. “De manhã, vou digerindo o início do meu dia, e as ideias vão surgindo. À noite, evito escrever, porque fico agitada e sem o sono”, adianta. Refere que “as ideias estão sempre a nascer, como cogumelos, e eu tenho necessidade de registá-las na sua fase incipiente, para não as perder, e depois organizo o texto, dando-lhe mais corpo. Isto é mais com a prosa, porque com a poesia, as palavras saem quase logo como vão ficar, de forma mais espontânea”. Desafiada a optar entre a prosa e a poesia diz tratar-se de uma escolha difícil: “Tenho mais facilidade em escrever poesia, mas a prosa é um desafio infinitamente mais interessante, que requer muita concentração, disciplina e tempo. E, naturalmente, como tenho o meu trabalho, tenho falta de tempo.”

“Vou buscar muitas recordações à infância, a histórias que vivi e ouvi contar. Temos em Amarante um património riquíssimo, que eu adoro evocar e explorar”

Quisemos perceber a influência do património cultural regional nas obras de Anabela: “tenho, naquilo que escrevo, grandes influências do património cultural regional. É algo que está em mim e não consigo evitar, claramente visível, por exemplo, no conto “A Tundra”, já que tudo gira tudo em torno da vida das extintas fábricas da «Tabopan», desde os anos 70 até à atualidade, com muitos registos de linguagem e modos de vida típicos de cá. Tenho em Agustina e em Pascoaes um imenso orgulho, e noutras figuras de vulto, como Amadeo de Souza-Cardoso, porque a pintura é outra das minhas paixões. Vou buscar muitas recordações à infância, a histórias que vivi e ouvi contar. Temos em Amarante um património riquíssimo, que eu adoro evocar e explorar”, salienta a entrevistada. 

No ano de 2013, concretamente, foi publicado um conto alusivo à temática “A Vida num Sonho”, numa coletânea da editora Lua de Marfim; também um conto de amor, intitulado “O Amor é um Caso Sério”, na coletânea “Beijos de Bicos”; três poemas selecionados, numa obra de poesia reunida intitulada “Aqui há Poetas: Poesia sem Gavetas”.

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