Etiquetas

domingo, 5 de janeiro de 2014

O EXCESSO DE MORALISMO DE ALGUNS JORNALISTAS

Nuno Meireles
DR
Ontem, decorreram as cerimónias fúnebres dedicadas a Mandela por parte dos chefes de estados estrangeiros. Toda (ou quase toda) a gente quis estar presente para prestar uma última homenagem a este grande homem sul-africano. Até o “nosso” Cavaco Silva fez questão de marcar presença.
À noite, em jeito de ressaca das ditas cerimónias vejo, numa Rede Social na Internet, a partilha por parte de um jornalista – relativamente conhecido de todos nós portugueses – de uma fotografia de Barack Obama, onde este está todo sorridente a tirar umas fotos com o seu telemóvel topo de gama. Além disso, como titulo, o referido jornalista escreve: “Mr. Obama, era uma cerimónia fúnebre!”.
Do meu ponto de vista, há determinados jornalistas que se julgam donos de todos os ideais moralistas que existem à face da terra, este é um belo exemplo. 
Já sei que muitos de vocês vão discordar destas minhas afirmações e até vão pensar que lá por serem
Obama tira fotografias com o seu telemóvel
DR
jornalistas, não quer dizer que não tenham a sua opinião sobre as coisas do dia-a-dia. Tudo isso que pensam é verdade, mas penso que há situações e situações. Esta em concreto, foi para mim bastante despropositada.
Porquê? Simples. Quem viu as imagens das cerimónias não viu ninguém a chorar a morte de Madiba. Viu um povo a celebrar euforicamente a vida daquele que foi o principal obreiro da Paz reinar em África do Sul; viu um povo a cantar, a dançar, a dedicar palavras de alegria por terem tido um homem grandioso do seu lado; viu também outras figuras públicas a sorrir e a acenar alegremente para as câmaras da televisão que cobria o evento – o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon foi um deles.
Perante tal cenário, que moral pode ter esse senhor jornalista para criticar a postura do Presidente dos Estados Unidos da América? Nenhuma! Porque à partida que o faz, também tem de criticar a postura de milhões e milhões de sul-africanos que nestes últimos dias têm dançado e cantando mostrando desta forma todo o afeto que têm por Nelson Mandela. E não há ninguém à face da terra que possa apontar o dedo às demonstrações de afetos de cada cidadão do mundo.
São estes pequenos (ou enormes) detalhes que me faz perder a paciência com o jornalismo que é feito por senhores como este. Para mim, a função de um jornalista é somente informar e nada mais que isto. E não me venham cá com a história que o jornalista é também um civil e que pode expressar as suas opiniões como cidadão que é. Poder pode, mas não devia o fazer. É quase a mesma coisa que dizer que um Polícia pode assaltar e matar enquanto mero cidadão. De facto pode mas depois tem de levar com as consequências. O mesmo acontece com os jornalistas.
Ninguém pode negar que a comunicação social tem um imenso poder na nossa sociedade. São capazes de começarem uma guerra, derrubar ou eleger governantes quando a sua principal função, volto a referir, devia ser apenas informar as pessoas. Excesso de moralismo ficam-lhes mal, muito mal.

Sem comentários:

Enviar um comentário