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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DOURO É OURO, MAS PARA QUEM?

Alina Sousa Vaz
DR
Os tempos são de austeridade e a palavra crise rola de boca em boca como os fogos-de-artifício em tempo de festa. 
Todos concordamos que para sair da crise, o país precisa de explorar bem os recursos existentes, de forma a aumentar as exportações e diminuir as importações, promovendo, assim, a economia nacional. Sou da opinião que Portugal para sair da crise necessita, essencialmente, de desenvolver as potencialidades que tem e sem dúvida que o turismo encabeça essa lista.
Notícias recentes destacam Portugal como um país de excelência para se visitar. Na lista do Trivago dos 100 melhores destinos para 2014 na vertente qualidade-preço, Portugal aparece em quinto lugar com seis destinos de excelência (Peneda – Gerês, Peniche, Braga, Figueira da Foz, Vila Nova de Milfontes e Ericeira). Por sua vez, a editora de guias Lonely Planet os destinos “Best Value” de 2014 destaca nesta edição, também, Portugal como uma das opções, fazendo referência à cidade de Albufeira, no Algarve, como sendo a “mais barata para férias de Verão em família”, Lisboa como tendo um “café maravilhoso” e “doces a preços acessíveis” bem como “elétricos baratos”. 
Estas leituras provocaram em mim, imediatamente, um semblante talvez interrogativo. Verifico que entre estes destinos a Região do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO desde 2001, não foi contemplada. Não tenho dúvidas que a região do Douro nunca foi tão bem promovida como atualmente. O Douro foi descoberto, está na moda e é Ouro! Mas o Douro é Ouro para quem?
Apesar de este “Reino Maravilhoso” ter sido criado pelo “homem de camisas empestadas de suor”, o “Ouro” parece não chegar às populações da região. Os grandes investidores, e a eles um bem-haja, não deviam ser obrigados a realizar protocolos inserindo nos seus projetos as populações que semearam as características ímpares do Douro? Visitem quintas de renome, mas levem, também, os turistas ao encontro do agricultor comum para que adquiram o bom azeite, os frutos da época, que vejam os lagares antigos e se deliciem com os olhares fraternos das gentes que têm testemunhos para passar sobre uma cultura sem igual. Criem condições para o turista comum, aquele que paga tendo em conta a qualidade preço e não criemos apenas o turismo para elites e estrangeiros. Turismo desenvolvido? Sim, mas para todos!

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