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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CORRUPÇÃO – I LOVE THE WAY YOU BRIBE

“A corrupção é proibida? É! Mas pode-se fazer? Pode! E o que é que acontece? NADA!”


Gabriel Vilas Boas
DR
A corrupção não é um tema polémico. É fácil chegarmos a um consenso sobre aquilo que a define, o efeito nefasto que tem na sociedade, a necessidade de a erradicar ou pelo menos diminuir, as penas que devem ter os corruptos… por aí diante. No entanto ela prolifera, especialmente em momentos de crise económica. 
Aliás, é fácil atirar-lhe com as culpas de todas as crises. Tão vulgar como incómodo encontrar-lhe o rosto. A fotografia é sempre vaga, imprecisa e jamais será um autorretrato.  
A corrupção atinge a sociedade, mas é praticada pelo indivíduo. Antes de ser um cancro social, é uma doença de valores. Mostra como os valores das pessoas têm preço, que as pessoas têm preço. Importa pouco discutir se é baixo, muito baixo ou ridículo. Mais tarde ou mais cedo, cada um percebe que a pena foi tão grande, o lucro tão ilusório, a desonra tão estupidamente consentida. 
Muitos dos que aceitam a corrupção ou dizem compreendê-la (que eufemismo tão feio) advogam estar a “olhar pela sua vida, porque se não são eles a fazer quem o faria?”. Que desculpa tão frágil. Será que a inteligência fechou para balanço nesses momentos? A consciência cívica, o bem coletivo, o interesse do país? Tudo uma treta! 
Rapidamente encontram-se como quase imaginaram: casa de férias, boa conta bancária, férias a perder de vista, carros topo de gama… com a exceção dum pormenor que fizeram por esquecer: vivem sós com a sua má consciência. Acreditem, não é fácil livrar-nos da “coisa”. Chegados à solidão da culpa e do erro, não tarda o lamento da praxe: “Se eu soubesse!” ou “O dinheiro não traz felicidade!”
Na minha opinião, a origem do vírus começa na corrupção moral. Uma espécie de corrupção a brincar, dizem alguns, mas altamente nefasta, digo eu. A corrupção moral é a erva daninha do carácter. Encontrámo-la todos os dias numa decisão, numa opinião, numa ordem. Muitas vezes apenas nós damos conta dela, outras vezes nós e aquele ou aquela a quem desiludimos. Poucas vezes em público, muitas em privado. 
No entanto, o vírus segue, inexorável, o seu caminho e produz os seus efeitos. Primeiro em nós e depois naqueles para quem somos exemplo: os nossos filhos, os jovens, os nossos subordinados, as pessoas das nossas relações.
Como resolver este problema? Tendo paciência e exigência. Um problema com tão grandes dimensões leva gerações a resolver-se. Isto não quer dizer que devemos adiar a sua resolução. É urgente resolvê-lo. Cada um tem que ser exigente consigo e com o outro. Para se rejeitar a corrupção no outro temos de ser capazes de a termos como inaceitável em qualquer circunstância. 
Não ser corrupto é exigente, mas moral, social e pessoalmente compensador.
A corrupção é proibida? É. Mas pode-se fazer? Pode, mas isso não interessa nada! 
E nunca mais será a mesma coisa.

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