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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

SOLIDÃO

Gabriel Vilas Boas
DR
Hoje, quando me cruzo na rua com muitas pessoas e olho com atenção os seus olhos, vejo que estão tristes, profundamente tristes. Uma tristeza comprida e sem memória já de quando e onde começou. Com facilidade percebo que são pessoas em solidão. Normalmente são velhos. 
É curioso pensar como associamos estas duas ideias: velhice e solidão! Não só associamos como deixamos que tal estereótipo entre pela nossa alma adentro e a capture como se dum fatalismo se tratasse. A realidade mostra-nos o contrário: há pessoas solitárias em todas as idades: adolescentes, jovens, adultos. 
Em todas as idades encontramos pessoas que sofrem duma profunda sensação de vazio e isolamento, que acusam a ausência de companhia! Todavia, para todos parece haver uma solução, exceto para os velhos. Ora, isto não é verdade, mas pode tornar-se. Especialmente se acreditarmos nisso como uma verdade incontornável. E não é!
Pensamos que estamos sós, bebemos o fel da solidão, quando pensamos que já não importamos para ninguém, que já não temos préstimo nenhum para os outros e para o mundo. Vivemos em solidão quando deixamos de ter a atenção dos que nos são próximos e queridos; vivemos em solidão quando notamos que somos peças dispensáveis na engrenagem da vida dos outros; vivemos em solidão quando somos tratados com uma deferência caridosa que nos humilha e amesquinha. 
E quem é o responsável por tudo isto? Mentirosamente, dizemos que é a vida; o nosso coração acusa familiares, amigos, conhecidos. 
Tenho pena que não façamos uma reflexão mais profunda e percebamos que a solidão chegou no momento em que deixámos de amar a vida e deixámos de gostar de nós. A solidão serve para lembrar que a vida é um jogo maravilhoso, mas que não admite desistências. Não é porque o corpo ou a cabeça não corresponde com a mesma prontidão que deixamos de ter competências extraordinárias que nos permitem realizar coisas fantásticas.
Somos interessantes para os outros quando jamais permitirmo-nos deixar de ser fundamentais para nós próprios.
Há uma ética fundamental da vida que nunca poderemos esquecer: temos de honrar cada dia que temos o privilégio de viver. A solidão é um vírus que toma conta da nossa alma quando não o sabemos neutralizar na nossa cabeça.

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