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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CIDADÃO PORTUGUÊS. QUE FUTURO CULTURAL?

Alina Sousa Vaz
DR
Pegando na máxima de Helena Vaz da Silva, ex-diretora do Centro Nacional de Cultura, “é de cultura como instrumento para a felicidade como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar”.
Por estes dias reluzentes de um sol de S.Martinho, o nevoeiro pairou sobre aqueles que olham a Cultura com real apreço. O secretário de estado da cultura, Jorge Barreto Xavier, admitiu no Parlamento que o orçamento para 2014 para o sector iria sofrer um corte de 15 milhões de euros em relação ao ano de 2013. Independentemente das oposições lançarem outros valores diferentes e mais avultados, reitero uma tristeza profunda que me deixa atónita e preocupada com o futuro cultural do cidadão português.
Todos sabemos que os indicadores de cultura estão sempre ligados aos indicadores da educação e se o inquérito do Eurobarómetro sobre a participação em atividades culturais na União Europeia mostra Portugal no fundo da tabela a par com países como a Bulgária e a Roménia, tal facto revela que há muito por realizar neste nosso país em ambos os sectores.
Os valores chocaram os intelectuais. Muitos apontam a crise como principal motivo para esta classificação mísera, porém outros revelam que não frequentar bibliotecas públicas, museus, espetáculos de teatro, dança ou ópera, ler livros e visitar monumentos estará relacionado, principalmente, com a falta de estímulo e investimento do ensino cultural nas escolas.
Confesso que por vezes tenho ganas de gritar bem alto. Se conhecemos os motivos do baixo índice cultural o que nos impede de seguir em frente aplicando a lição que está bem estudada? É necessário criar hábitos desde tenra idade, sabemos que a melhor forma de ensinar uma criança a ter riqueza cultural é fazê-la crescer num ambiente no qual tenha contacto constante com eventos culturais de diversas áreas.
A educação é um trabalho permanente do sujeito para a vida integrante no mundo contemporâneo que é um mundo de diversidade, de pluralidade, onde a questão dos diferentes diálogos, das diferentes temporalidades que vivemos é importante para construir um sujeito critico e participativo da sociedade, ou seja a educação desloca-se para uma visão de articulação dos diversos subsistemas culturais. Mais do que um professor conseguir controlar os jovens numa sala de aula e leccionar a panóplia dos conteúdos programáticos é necessário garantir uma educação de qualidade de acesso pleno à cultura que permita o desenvolvimento da condição humana, um crescimento individual das pessoas podendo potencializar e qualificar as relações sociais que geram valores.
Contudo, a educação tem sofrido atrozmente. Com a redução de professores, aumento do número de alunos por turma… a escola pública portuguesa tem sido apunhalada cabalmente e ao perder os seus agentes principais de uma maneira ou de outra o fosso cultural vai aumentar cada vez mais. Relembremos que a educação é um poderoso instrumento para um rápido crescimento económico e para a mobilidade individual e tem sido os professores desta nova geração o deleite de muitas escolas, por se tratar de um corpo docente altamente qualificado, dinâmico e muito disponível para o desenvolvimento de projetos, quer em período de trabalho, quer mesmo fora dele. Este grupo de professores têm vindo a construir uma excelente e salutar relação com os seus alunos, de onde advêm relações pedagógicas fortalecidas e um incremento suplementar no processo de ensino/aprendizagem contribuindo assim para uma maior incremento do desenvolvimento cultural.
Num país onde há falta de verbas e o plano cultural passa para último lugar pelas chefias, que futuro podemos esperar para a Cultura em Portugal? Nos bancos da escola sempre nos ensinaram que o poder económico de um país verificava-se no seu elevado grau de instrução e cultura. Como sair deste marasmo, desta nostalgia e fado que parece que nos retrata?
Ao contrário do que muitos pensam, Cultura gera riqueza mas cada um colhe conforme o que semeia. É necessário um maior investimento nos sectores primordiais para que o futuro seja promissor.
Como cidadã não quero viver em modo macambúzio… quero mais Cristianos Ronaldos espalhados por esse mundo fora com orgulho em dizerem “Sou português e estou aqui”.

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