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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

AS POBRES DAS NOSSAS CRIANÇAS

Nuno Meireles
DR
Vi no passado domingo, uma reportagem numa estação de televisão sobre as propostas que um determinado partido – com assento parlamentar – fez para combater a pobreza infantil em Portugal. Ao ver a referida peça, pensei que não havia melhor motivo para começar esta viagem de cronista neste espaço.
Toda a gente sabe que esta crise económica que Portugal atravessa tem trazido mazelas muito graves para quase todos os portugueses. Ironicamente (ou talvez não), o grupo que mais sente na pele o quanto custa o fardo desta crise, são aqueles que menos se queixam da vida e que fazem desta preciosidade o mais belo conto de fadas. Naturalmente que vos falo das nossas crianças.
Alguém ouve uma criança a queixar-se da vida? Alguém ouve uma criança preocupada com as contas ao fim do mês? Não, ninguém vê. Mas sabemos que há casos muito graves de crianças a passarem muito mal porque os pais não têm dinheiro para lhes comprar um litro de leite para as alimentar. Mesmo com estas contrariedades, é quase uma certeza que vivem a vida de forma mais alegre que os adultos: cantando, saltando, brincando…
De forma esporádica, vemos nos órgãos de comunicação social alguns casos de crianças que vão para a escola sem pequeno-almoço, outros onde a refeição que comem na escola é a única que têm durante todo o dia. Como disse, o que vemos são casos esporádicos pois acredito piamente que há milhares e milhares de crianças neste estado lastimável, só que não convém mostrar ao mundo a real situação. Temos vergonha deste retrato enfadonho? É o mais certo… e como vivemos muito de aparências, o melhor é esconder.
Para um pai ou uma mãe, deve ser bastante doloroso chegar a uma fase do mês e não ter dinheiro para alimentar os seus filhos; porque as despesas ao fim do mês são muitas, porque os ordenados estão cada vez mais curtos, e como se isto não bastasse, porque o estado leva uma fatia bem taluda desse ordenado em impostos e mais impostos, taxas e mais sobretaxas. Será que você que está desse lado a ler-me, consegue imaginar o que deve ser para um pai ou uma mãe ouvir o seu filho dizer “tenho fome”? O que sente um pai ou mãe ao ouvir tal coisa da boca do ser que mais ama?
Do outro lado, temos os senhores do governo obcecados em números e em atingir metas impostas por gente estranha ao nosso país, onde todos os portugueses devem ser tratados de igual forma, tenham 4 ou 84 anos. Basta pegar no exemplo dos bilhetes de transportes públicos, onde uma criança de 5/6 anos paga exatamente o mesmo que um adulto. Para os governantes, não importa que passem fome, que sofram ou que fiquem doentes. O que importa é que todos paguem uma fatura; mesmo que não tenham nada a ver com ela.
Um país que se autointitula como um país civilizado, não pode, nem deve tratar as suas crianças como se fossem meros bonecos. O futuro do país está nas mãos destas jovens criaturas que hoje estão a padecer por algo que não têm a culpa.
Não se admite que Portugal esteja na liderança do ranking como o país, a nível europeu, com maior taxa de crianças pobres. Uma em cada cinco crianças é considerada pobre. É inadmissível tal coisa. É tempo de fazer algo pelo futuro e bem-estar dos nossos meninos.

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