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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

“NUNCA EQUACIONEI TER AS ELEIÇÕES GANHAS”


“A população de Gondar desde 12 de dezembro de 1976 deu a sua confiança ao PSD, sempre em eleições livres e democráticas, pelo que da mesma forma em 29 de setembro de 2013 deu a sua confiança a uma candidatura do PS”.
“Quando me propus a ser candidato a única certeza que tinha era que não seria contra um dos grandes presidentes de junta de Amarante, o Prof. António Bastos Teixeira”. 
Hugo Vaz, Presidente da JF Gondar
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Hugo Luís Teixeira Vaz nasceu no Hospital de São Pedro, freguesia de S. Dinis, em Vila Real a 11 de abril de 1976. Por decisão profissional dos pais, o Hugo e a família mudam-se, dois anos após o seu nascimento, para o distrito de Viseu. Aí viria a nascer a sua irmã Tânia Vaz.

Ricardo Pinto (RP): Hugo, como eram as suas brincadeiras de infância?
Hugo Vaz (HV): Sempre na rua quando podia. Os tempos eram outros também. Além de mais segurança, menos carros e mais crianças, as brincadeiras eram passadas essencialmente na rua.

No 10.º ano de escolaridade decide ingressar na área de Economia, mudando-se da Escola Secundária Alves Martins para a Escola Secundária Emídio Navarro, em Viseu. 

RP: Na sua juventude tinha alguma profissão que gostasse de seguir?
HV: A ideia andou sempre à volta da Gestão e da Economia. Optei por Gestão na área turística por considerar uma área de futuro, principalmente em Portugal. E apesar das entidades não estarem ainda devidamente sensibilizadas para um gestor nesta área, penso que foi e é uma aposta ganha.

Frequenta a Universidade de Aveiro, entre 1995 e 2002, num curso de cinco anos, tendo feito Erasmus na Finlândia. Após a conclusão da licenciatura, decide em 2003 tirar o mestrado em Gestão de Espaços Turísticos Locais na Universidade de Barcelona.

RP: Para quando o doutoramento?
HV: Frequentei e terminei o primeiro ano do doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura, na Universidade de Coimbra, com nota final de 18 valores. Com o nascimento do meu filho Afonso, e infelizmente com os problemas de saúde a ele associados, a única decisão foi suspender o mesmo, que penso terminar assim que me for possível.

RP: Em que altura da sua vida inicia a sua atividade profissional?
HV: Iniciei a minha vida profissional de uma forma contínua em 2002, dois anos antes de terminar o mestrado. Comecei por exercer funções no Ministério da Administração Interna, mais precisamente na Direção Geral de Viação, onde executava as funções de assistente técnico.

Ainda longe de saber que Amarante seria o seu futuro local de residência, Hugo Vaz vem pela primeira vez à cidade de Pascoaes em 2006.

RP: Uma visita de lazer ou a trabalho?
HV: A trabalho. Vim a uma entrevista para um lugar de técnico superior de turismo na Associação de Municípios do Baixo Tâmega. Fui selecionado e em setembro de 2006 vim residir para Amarante, trabalhando desde então como técnico superior de Gestão e Planeamento na Associação de Municípios do Baixo Tâmega.
 
Hugo Vaz, a esposa Isabel Carvalho e os filhos Afonso e Joana
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Um ano depois conhece a atual esposa, Isabel Carvalho, com quem viria a casar e constituir família. Hugo é pai de Afonso, com três anos de idade, e da pequena Joana com 15 meses de existência. Residem atualmente no Lugar de Areias, freguesia de Gondar.

RP: Estando a morar na freguesia de Gondar há sensivelmente seis anos, como surge a oportunidade de ser o candidato escolhido pelo PS à Assembleia de Freguesia?
HV: A oportunidade surge pela minha disponibilidade demonstrada ao presidente da concelhia do PS em liderar um projeto estruturante para Gondar, no caso de a concelhia considerar que possuía o perfil adequado, o qual se veio a confirmar.

RP: Quando se propôs a ser candidato pelo PS sabia à partida que tinha as eleições ganhas, ou tinha consciência que seria uma tarefa árdua, com uma oposição fortíssima?
HV: Quando me propus a ser candidato a única certeza que tinha era que não seria contra um dos grandes presidentes de junta de Amarante, o Prof. António Bastos Teixeira. De resto, estaria tudo em aberto pois fui apresentado muito cedo, não existindo ainda ideia de quem seriam os candidatos das outras forças políticas, mas tinha a certeza que seria, como se viria a comprovar, uma tarefa árdua e uma oposição extremamente forte.
Nunca equacionei ter as eleições ganhas, aliás, dizia sempre como um famoso futebolista – “ Prognósticos só depois do jogo”.

Hugo Vaz na sede da sua candidatura
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A 29 de setembro, Hugo Vaz e a sua equipa alcançam uma maioria absoluta, com 56,44% dos votos.

RP: Que estados de alma passam na cabeça de um candidato que conquista uma Junta PS, pela primeira vez após a queda do regime fascista?
HV: Os estados de alma não existem nestas situações. A população de Gondar desde 12 de dezembro de 1976 deu a sua confiança ao PSD, sempre em eleições livres e democráticas, pelo que da mesma forma em 29 de setembro de 2013 deu a sua confiança a uma candidatura do PS. É algo que considero perfeitamente normal, como aconteceu, acontece e acontecerá em tantas autarquias locais do nosso Portugal.

RP: 30 de setembro de 2013 – o dia acordou chuvoso. Qual foi a primeira coisa que fez nessa manhã?
HV: Foi levar os meus filhos ao infantário. Já tinham saudades que o pai o fizesse.

RP: Casado com alguém que teve durante anos funções numa junta PSD, como foi esta vitória para a sua esposa? Consegue-se separar as águas?
HV: Foi algo triste para a Isabel, pois ao fim de 20 anos na junta, a sua “família política” não é eleita em Gondar. Contente como esposa, ao contrário do que se pudesse pensar, a Isabel nunca, mas nunca, interveio em nada durante a campanha, a não ser obviamente, acompanhar o marido com os filhos, algo que ela sempre fez, ser ativa e participativa na comunidade. Deixo aqui o meu elogio e orgulho público nesta “grande Mulher”.
Conversámos muito antes de assumir este projeto e se existiu algo em que concordámos imediatamente, era que ela seria imparcial em todo este processo e eu nunca trataria de assuntos da campanha em casa. Foi muito engraçado, ter de esconder coisas à minha esposa pela primeira vez.

Candidatos à Assembleia de Freguesia pelo PS
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Da lista de candidatos à Assembleia de Freguesia faziam parte 25 gondarenses de várias áreas de formação profissional: da educação, da saúde, da engenharia, da economia e gestão, entre outras, estando o manifesto eleitoral dividido em seis grandes áreas: ação social e saúde, dinamização económica/ emprego e autoemprego, urbanismo/ habitação e ordenamento, educação/ cultura, turismo/ lazer/ desporto/ associativismo /juventude e a área do ambiente/ cidadania e segurança.

RP: No seu manifesto eleitoral, o Hugo dava a conhecer uma equipa “jovem, ambiciosa e dinâmica”. Considera que no atual panorama político esses foram vetores essenciais na sua votação?
HV: Penso que esses foram os três eixos principais na formação da equipa. Depois precisávamos de um manifesto eleitoral igualmente ambicioso, mas exequível. Alias, mais de 50% do programa apresentado será realizado com custos extremamente diminutos para a junta. Todo o empenho e dedicação da equipa foram fundamentais, uma vez que por exemplo visitamos quase todas as casas da freguesia.

RP: Que rescaldo faz dessa campanha porta a porta?
HV: Dos 14 dias, sensivelmente, que andamos porta a porta o balanço é fantástico. Foi a melhor opção que poderia ter tomado, quer a nível político, quer a nível pessoal.
O contato, as histórias, o brilho nos olhos das pessoas, nada o poderia e poderá substituir como numa campanha porta a porta. O conhecimento da freguesia elevou-se exponencialmente, principalmente às necessidades imateriais, aquelas que ninguém vê, mas que a alma sente.

RP: Sentiu que essas visitas serviram para traçar o perfil socioeconómico da freguesia?
HV: Indubitavelmente. Já tinha uma perceção geral desse perfil, mas esta campanha permitiu-nos, de forma mais particular, sentir o pulsar e os anseios das pessoas, os seus pedidos, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos lugares e, por conseguinte, das populações.

RP: Pela primeira vez um candidato à Junta de Freguesia de Gondar cria um blogue e uma página no facebook, dando a conhecer as suas ações de campanha. Considera que a utilização das redes sociais foi benéfica para a vossa equipa?
HV: A utilização das redes sociais é já um ato de normalidade na minha geração e muito mais nas gerações mais novas, pelo que, a sua utilização foi encarada sempre como colocar um cartaz ou apresentar o manifesto eleitoral. É um instrumento usado na generalidade das campanhas, capaz de fazer chegar as nossas ideias a muitas pessoas, sem custos.

RP: No meio da vitória, alguma desilusão - a Câmara Municipal de Amarante (CMA) deixa de ser PS e passa a PSD. Como será trabalhar com um executivo de diferente cor política?
HV: Penso que não haverá inconvenientes. Tenho o Dr. José Luís Gaspar como uma pessoa que deseja e promoverá o desenvolvimento de Amarante de forma equitativa e, da mesma forma que o Dr. Armindo Abreu procedeu, não fará qualquer tipo de descriminação entre as cores políticas das juntas de freguesia. Fomos todos eleitos para melhorar a qualidade de vida dos nossos concidadãos e tenho a certeza que é nisso que nos focaremos.

RP: Outras das grandes mudanças para a CMA foi o afastamento quer do Bloco de Esquerda, quer do Partido Comunista da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal, com a entrada de um movimento apartidário de cidadãos – Amarante Somos Todos. Como analisa esta situação?
HV: Os partidos são parte fundamental e vital do nosso sistema democrático, porém penso que existem pessoas de elevado valor que, por questões secundárias, não são aproveitadas da devida forma em benefício das suas comunidades e, por essa razão existem movimentos que, reconhecendo esse mesmo valor, se apresentam a escrutínio e alcançam lugares de destaque, como o caso de Rui Moreira no Porto.

"O presidente de junta, tem de pensar globalmente mas tem de agir localmente (...)"

RP: Um presidente de junta tem uma relação muito direta com os seus conterrâneos. Quais os principais desafios para um presidente de junta, no fundo, que responsabilidade(s) deve assumir em relação ao poder local?
HV: Na atualidade os principais desafios do Presidente de Junta são manter e se possível melhorar a qualidade de vida da população, reconhecer as principais razões de disparidade e tentar atenuá-las, protegendo os mais carenciados no âmbito das suas competências e alertar as entidades competentes quando as situações se enquadrarem fora da sua jurisdição. Ao mesmo tempo terá de ser capaz de definir uma estratégia de manutenção e atração de investimento e de população. Atualmente o Presidente de Junta, tem de pensar globalmente mas tem de agir localmente com todas as ferramentas ao seu dispor.

RP: A taxa de emigração na freguesia, assim como em outros locais, tem vindo a aumentar exponencialmente. Que medidas deve um autarca tomar ou apresentar a quem de direito no sentido de reverter, ou pelo menos atenuar esta tendência?
HV: No nosso manifesto estão inscritas algumas medidas que tentarão alterar essa tendência, das quais destaco, a bolsa de emprego em parceria com o tecido empresarial local, o apoio à procura de emprego e autoemprego com a disponibilização de todas as oportunidades existentes ao nível de fundos comunitários, o início da criação de um nicho de “Start-Up”, tendo em conta o nosso tecido empresarial e o Conselho da Emigração, que pretende, acima de tudo, procurar os gondarenses com possibilidade de investir, criando postos de trabalho.

RP: Com os sucessivos cortes de pensões, muitos idosos ficarão mais fragilizados. Numa freguesia com uma taxa de idosos elevada, com baixos recursos financeiros, qual deve ser o papel do Presidente da Junta?
HV: O papel do Presidente da Junta deve ser, na minha perspetiva, aquele que nós propomos que seja. Sinalizar e intervir, sempre em parceria com as entidades competentes e já existentes no atenuar ou diminuir o esforço financeiro, com medidas como a teleassistência, com um custo residual para a freguesia em comparação com o benefício obtido para o idoso e para a família direta. O projeto “Adote um Avô”, o projeto “Mimar um Avô”, o projeto “Intervir”, que dependem única e exclusivamente do voluntariado da população. Essa é outra vertente que queremos aos poucos incutir. Somos terra de gente boa, e como tal, podemos e devemos olhar uns pelos outros nesta fase mais negativa, e é por tal que o voluntariado é tão necessário e valioso.
O apoio ao preenchimento do IRS para idosos com anexos A e H, o lançamento das bases para a criação de uma academia sénior, onde possam conviver, dar largas à criatividade e até transmitir conhecimentos, são algumas das medidas previstas que, perante o seu diminuto custo, terão a nosso ver, um grande impacto na freguesia.
 
Hugo Vaz  com António Teixeira (esq.) e Raquel Marinho (dt.)
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RP: Com a acumulação de funções (profissão e cargo de presidente) impõe limites nos horários de trabalho ou com esta nova função acabaram-se os horários definidos?
HV: Felizmente somos uma equipa, ainda para mais uma equipa bastante coesa. A junta é formada por três elementos, o presidente é obviamente a figura central, mas será um trabalho em parceria em torno também da secretária e do tesoureiro.
Ainda assim, os horários de presidente serão de 24 horas por dia e 365 dias por ano.

RP: Enquanto Presidente de Junta qual será a primeira medida a tomar de imediato?
HV: A nossa primeira preocupação vai ser o projeto do alargamento/construção do cemitério. Este equipamento está numa fase de sobrelotação, pelo que se torna na nossa maior prioridade neste primeiro momento do mandato.

A tomada de posse de Hugo Vaz realizou-se no passado sábado, dia 19 de outubro. A presidir à reunião da Assembleia de Freguesia esteve Isabel Carvalho, ex-presidente da Assembleia de Freguesia pelo PSD, esposa do atual Presidente Hugo Vaz.

Isabel Carvalho, preside à tomada de posse de Hugo Vaz
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No mural do facebook de Isabel Carvalho pode ler-se o seguinte desabafo, publicado na noite de tomada de posse:

“PSD versus PS
Mais uma experiência peculiar na minha vida, na qualidade de Presidente cessante da Assembleia de Freguesia de Gondar, mandato para o qual tinha sido eleita pelo PSD, conferi a posse, como Presidente da Junta de Freguesia de Gondar, ao meu marido, eleito pelo PS…
Parafraseando Simone de Beauvoir - ´Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento´."

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1 comentário:

  1. Lembro-me do Hugo dos tempos da Nortenha em Viseu.
    Bom rapaz!
    Felicidades.

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