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sexta-feira, 21 de junho de 2013

28 A 30 JUNHO: FEIRA À MODA ANTIGA TRANSPORTA LARGO DO ARQUINHO E RUA 31 DE JANEIRO AOS ANOS 30 E 40


O Largo Conselheiro António Cândido, vulgarmente conhecido por Arquinho, foi requalificado recentemente: “as obras que se prolongaram no tempo deixaram essa zona bastante “adormecida”. Daí os comerciantes resolverem contactar a Junta de Freguesia da Madalena e outras instituições, no sentido de ajudar a promover toda aquela zona da cidade”, explica Joaquim António Pinheiro, Presidente da Junta da Freguesia da Madalena.
Assim, entre os dias 28, 29 e 30 de junho, a segunda edição da “Feira à Moda Antiga” regressa à cidade de Amarante pelas mãos dos comerciantes do Largo Conselheiro António Cândido, Rua 31 de Janeiro e Rua António Carneiro, em colaboração com a “Velha Lamparina”, recriando costumes e tradições dos anos 30 e 40 do século passado.
João Pedro Pinheiro, um dos elementos da organização do evento, refere que “a organização torna-se mais fácil com o envolvimento de todos. Implica algum trabalho sim, não só com a minha ajuda, mas também com a dos outros comerciantes da zona”.
Durante este três dias recriar-se-ão cenas emblemáticas do passado: “uma zona que em tempos remotos era já local de feira, uma vez que ficava num dos caminhos de S. Tiago de Compostela, pelo que apelamos às pessoas que venham trajadas a preceito, recriando todo o espírito cultural de então”, frisa Joaquim Pinheiro.
Os objetivos prendem-se não só em incentivar o comércio tradicional, mas também recuperar algumas tradições, como por exemplo, os carros dos anos trinta que vão andar a circular, motociclos, bicicletas, incrementando ainda mais o espírito de regresso ao passado.
Agostinho Azevedo, expositor de fumeiro regional desde há 26 anos, refere que esta é uma das melhores formas de “divulgar o comércio tradicional, o artesanato, atraindo turistas do Porto, Gaia e outros locais próximos da cidade”. Quanto ao acompanhamento do fumeiro, de receita caseira, aconselha “o vinho verde tinto da região, com a broa de milho ou o famoso pão de cantos de Padronelo, o trigo”.
Do programa consta ainda, para além das cantigas ao desafio e do Baile de São Pedro, no dia 29 (sábado), a participação musical de diversos ranchos folclóricos da região, do grupo “Andarilhos” de Baião, do grupo de teatro “T’Amaranto”, dos “Bombos Unidos da Farrapa”, do “Samzafos” (grupo de violas), da “Tuna de Fridão”, da Banda de Música de Várzea e ainda da “Associação Pró-Pagode”, que tem vindo a promover a viola amarantina. Eduardo Costa, Presidente da Associação Pró-Pagode salienta que esta viola “tem uma história secular, essencialmente, na base da sua história encontram-se os amores contrariados. Daí os corações na viola”, explica. Um instrumento constituído por dez cordas duplas, com uma sonoridade peculiar, construída em Portugal, “por terras de Felgueiras e Braga”. O objetivo da associação é inclusivamente alargar o ensino da mesma às escolas da região, já no próximo ano letivo.
Numa feira que pretende mostrar o que de melhor Amarante oferece aos seus conterrâneos e aos turistas, não poderiam faltar os doces regionais: o doce fálico de S. Gonçalo à venda na padaria Nova-Lusa, associado a um culto pagão a S. Gonçalo, em que as senhoras solteiras deveriam oferecer o doce ao santo, de forma a arranjarem marido. Bem no início da feira, localiza-se uma das pastelarias mais antigas no fabrico de doces regionais, a Pastelaria da Ponte, que data do ano de 1930 e vai já na sua quarta geração. Ricardo Ribeiro, gerente da pastelaria, convida os visitantes a provarem os famosos doces regionais, inspirados em receitas conventuais: “papos de anjos com doce de ovos, os foguetes, as lérias, as brisas, todos com doces de ovos e amêndoa, sem esquecer o bolo de S. Gonçalo”.
A Feira à Moda Antiga é promovida pela Dólmen, e pela “Velha Lamparina”, instituição sem fins lucrativos que representa um movimento de artesãos portugueses, vocacionados para recriações históricas, contando ainda com o apoio do Município e das Juntas de Freguesia da Madalena e Cepelos.
Texto: Ricardo Pinto
EDIÇÃO JORNAL AMARANTE 21-06-2013

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