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segunda-feira, 10 de junho de 2013

VERÃO QUENTE INICIA-SE MAIS CEDO PARA ALUNOS E PROFESSORES DO 9.º ANO


DR:  Sem entendimento com o MEC, greve dos professores avança

Alunos, professores, pais e psicólogos analisam o mês das emoções: A favor ou contra os exames nacionais no 9.º ano? Será fácil a escolha da área vocacional? Afinal, quais os efeitos práticos das manifestações agendadas para a comunidade escolar?




O mês de junho é por norma o mês das decisões para os estudantes do 9.º ano. Ao terminarem o ensino básico, terão de escolher a área de ingresso no ensino secundário, de acordo com as suas aptidões vocacionais. Antes disso, há ainda dois exames a realizar: a Português, no dia 20 de junho, e a Matemática, no dia 27. Este ano, o processo de avaliação poderá ser mais complicado, uma vez que está agendado um conjunto de greves e manifestações por parte da classe docente para a época de exames. Em cima da mesa, a luta contra os despedimentos, a mobilidade especial, o aumento da carga horária para as 40 horas semanais, exigindo-se ainda uma reorganização da escola pública.

Paulo Portas, ministro dos negócios estrangeiros, apelou publicamente aos professores que não façam coincidir as suas manifestações com o período dos exames. Mário Nogueira, da Fenprof, recorda ao ministro que “os professores não vão ficar de braços cruzados, caso o governo não recue nas suas intenções”.


Susana Dias, professora de Filosofia, não hesitou em aderir aos protestos: "vi aí uma forma realmente importante de chamar a atenção do Ministério da Educação e Ciência". Gabriel Vilas Boas, professor de Português, diz que o timing da paralisação é o correto: “concordo com ele e pretendo aderir à greve nos dias necessários para que ela tenha eficácia”.
“É preciso que haja efeitos colaterais para a sociedade se aperceber da catástrofe que o governo está a preparar para a escola pública”, assere Alice Costa, professora de Inglês.
 Anabela Magalhães, professora de História, concorda também com os dias escolhidos: “se o meu sindicato respondesse a este ataque gravíssimo à Escola Pública com mais uma manifestação ao sábado, eu entregaria o meu cartão de sócia. Durante muitos anos a nossa luta foi feita tentando causar um prejuízo próximo do nulo aos nossos alunos, infligindo prejuízo sobre nós próprios”, destaca a entrevistada.

Sobre a ideia de que os professores entram de férias quando as aulas terminam, Hélder Barros, professor de Tecnologias da Informação e Comunicação, diz que “os professores continuam a ser chamados a desempenhar muitas tarefas de supervisão pedagógica e não só. A embrulhada burocrática que se foi exigindo aos docentes, justificando o possível e o impossível na sua práxis, coloca muitos docentes autenticamente de rastos, de forma quase patológica”, confidencia o docente.

A possível paralisação dos professores poderá adiar o lançamento das avaliações, bem como a realização dos exames, apesar de o ministro Nuno Crato ter já assegurado a prestação de serviços mínimos, decididos por um Colégio arbitral.

Serafim Files, Presidente da Associação de Pais da E.B 2,3 de Amarante, mostra-se preocupado com a situação: “a minha filha, tal como muitos outros alunos, termina o 9.º ano e como tal tem dois exames nacionais para fazer. Se realmente a greve for feita, não sei o que irá acontecer”.

Trinta anos depois da sua extinção, os exames nacionais regressaram à escola pública no ano de 2000, nas mãos do então ministro da educação David Justino.

Por parte dos alunos entrevistados, a opinião é unânime – “os exames nacionais do 9.º ano não deveriam existir”.
Acho que um professor teria toda a capacidade para estabelecer a nota final do aluno. Tenho muitos professores que me acompanham desde o 7.º ano e, consequentemente, conhecem o meu aproveitamento escolar muito bem”, testemunha Filipa Teixeira, aluna finalista na E.B 2,3 de Amarante.
“Tenho primos no estrangeiro, e lá não fazem exames no 9.º ano”, refere Francisco Fonseca, aluno do Colégio de S. Gonçalo


Quanto à realização de exames neste final de ciclo, a opinião entre professores divide-se: “não concordo com a realização de exames no percurso de ensino obrigatório. Ou seja, só deveriam fazer-se exames no final do 12.º ano. Há muitas formas de aferir conhecimentos e um exame no final de ciclo pode arrasar por completo o ano escolar de um aluno”, opina AnabelaBorges, docente de Português. Da mesma opinião é Anabela Magalhães: “Por mim, nesta época de profunda falta de recursos económicos, pouparia esses recursos, assim como os testes intermédios, exceto no secundário”.
 Já Gabriel Vilas Boas concorda com a realização dos mesmos e afirma que deveriam ser estendidos às demais disciplinas: “não são menos relevantes. Provavelmente traria outro rigor quer ao ensino quer à avaliação dessas disciplinas”.

Numa altura em que alguns alunos permanecem na mesma escola e outros rumam a novos estabelecimentos de ensino, uma das principais decisões passa pela escolha da área de estudos no ensino secundário, o que por vezes pode tornar-se uma autêntica dor de cabeça, quer para os alunos, quer para os pais que acompanham esse processo. “Nesta idade, os jovens ainda têm muitas dúvidas quanto ao curso que vão escolher, mais tarde, no ensino superior. São os pais, muitas vezes, que tentam orientá-los, com base nos fatores mais comuns e que podem levá-los a cometer erros na sua tomada de decisão vocacional”, refere Ercília Costa.
Beatriz, aluna finalista da E.B 2,3 Amadeo Souza-Cardoso irá seguir a área de Artes: “depois de muita reflexão, questões prós e contras, chegou-se à conclusão de que ela deverá seguir o seu instinto e vocação, acreditando que o sucesso do seu futuro profissional advirá daí”, refere a mãe da aluna, Anabela Borges.
Alexandra Freitas, especialista em psicologia escolar, adverte para o facto de nestas idades “o próprio cérebro do jovem não estar suficientemente amadurecido para suportar uma decisão de escolha profissional”, defendendo a introdução do serviço de psicologia desde o pré-escolar.



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