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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ondjaki - Nadlú de Almeida - conheça o escritor angolano!


Ondjaki, nasceu em Luanda, em 1977. Escritor e poeta, publicou entre outros livros: Actu Sanguíneu, poesia 2000; O Assobiador, romance, 2002; Há prendisagens com o xão, poesia, 2002; Ynari: a menina das cinco tranças, infantil, 2004; Os da minha rua, estórias, 2007.

Co-Realizou com Kiloanje Liberdade, um documentário sobre a cidade de Luanda “Oxalá crescem Pitangas – histórias de Luanda 2006”, apresentado no correntes

D’escritas.

Voz da Póvoa – O escritor no seu lado criativo é um construtor de mundos?

Ondjaki – Não. Eventualmente reconstruo mundos. Na minha escrita há uma reconstrução do real que vou tratando com elementos pessoais, da minha imaginação e

criatividade. Parto muito de zonas reais. Ainda que sejam sonhos, sensações ou cheiros são reais. Por outro lado, a infância é um elemento muito produtivo na

minha literatura, embora o olhar sobre a infância seja um olhar do presente sobre o passado.

V.P. – O poeta e o prosador separam-se ou convivem dentro do mesmo mundo?

O. – É muito difícil separar. Sobretudo porque me considero um prosador. Mas é evidente que há em algumas prosas um olhar de poeta. Qualquer escritor ainda

que não escreva directamente poesia, tem um certo lado poético. A poesia está no olhar, no modo como recebemos o mundo e não é fácil separar o poeta do

prosador. Embora me sinta menos seguro, continuo a escrever poesia.

V.P. – Foi uma escrita carregada de imagens que influenciou os passos no cinema?

O. – O cinema permite-nos contar a estória de outra maneira, podendo aliar-se a imagem à música. Uma combinação que causa sensações nas pessoas. Já o

documentário permite dar um lado absolutamente realista de um assunto, de uma cidade, onde se adicionam ritmos, musicas e silêncios. Isso vai dar um trabalho

estético muito interessante. São outras ferramentas e o resultado final é outro. Para mim, é mais uma busca para exercitar a sensibilidade.

V.P. – O documentário pretende mostrar uma cidade que começa a identificar-se?

O. – Havia a intenção de ver uma Luanda filmada por angolanos. Estava cansado de ver imagens seleccionadas para causarem compaixão ou horror. Nós pensamos

num tratamento um pouco mais factual e realista que desse uma outra ideia de Luanda, mostrando-a no exterior e aos próprios luandenses. Às vezes, quem está

metido no seu próprio umbigo não vê a sua cidade. Alguns luandenses nunca tinham visto aquela Luanda que nós mostramos.

V.P. – Dentro do caos que o filme revela, não há ali uma espécie de organização?

O. – O Nietzsche dizia, “é preciso muito caos interior para poder parir uma estrela que dança”. Esta ideia é muito interessante. Claro que há lugares

tranquilos que também parem estrelas. E há lugares caóticos que tem estrelas por parir ou já pariram. Luanda é um bocado essa ideia. Há uma grande confusão,

mestiçagem, fusão, um turbilhão cultural que origina musica, teatro, literatura. Uma cidade caótica é necessariamente uma cidade intensa. E da intensidade

resulta criatividade.

V.P: - Analisados os prós e os contras, a experiência é para repetir?

O. – Acho que sim. Tem é que haver outras condições. Pessoalmente arrebentei muito dinheiro. Enfim, é um sonho, a gente quer filmar, começa a entusiasmar-se

e o dinheiro vai desaparecendo. O próximo filme tem que ter uma produção muito mais cuidada. Sem dúvida uma nação que está agora a nascer, tem seis anos de

paz, é uma nação onde o cinema documental tem todo o futuro aberto. Todas as abordagens serão possíveis. Todas as temáticas estão ainda por explorar.

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