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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Noite Branca: Pidá condenado a 23 anos

Bruno Pinto (Pidá), Mauro Santos, Ângelo Ferreira (Tiné) e Fernando Martins (Beckham)foram esta terça-feira condenados pelo homicídio de Ilídio Correia e pelos homicídios tentados de Natalino e Helder Correia (irmãos da vítima), Hugo Oliveira, Luis Filipe Costa e Paulo Ferreira.

O Ministério Público tinha pedido 25 anos de cadeia para Bruno Pinto («Pidá»), mas o colectivo decidiu aplicar uma pena em cúmulo jurídico de 23 anos. Fernando Martins foi punido com 22 anos de cadeia. Mauro Santos e Ângelo Ferreira vão cumprir 21 anos.

Fábio Barbosa, que também era acusado de homicídio e tentativa de homicídio, foi ilibado por não se ter provado que era o quinto elemento do grupo atirador presente no local do crime.

«Foi uma emboscada»

O tribunal considera que os quarto arguidos, mais um quinto elemento que não foi identificado, se deslocaram à rua de Miragaia para «executar um plano», «munidos de armas» e «com intenção de disparar sobre Natalino e Ilídio Correia, causando-lhe ferimentos que sabiam podiam levar à morte». Na sentença, o colectivo frisa ainda que «os arguidos quando dispararam sabiam que podiam atingir qualquer dos elementos presentes no local, podendo mesmo matá-los, e conformaram-se com isso».

«Colocaram-se num plano superior, aproximaram-se sem serem vistos nem ouvidos e começaram a disparar intensamente. Foi uma emboscada e só o acaso permitiu que o desfecho não fosse mais dramático», diz a sentença.

Cada arguido foi condenado a 17 anos pelo homicídio de Ilídio Correia, seis anos pela tentativa de homicídio de Natalino Correia e cinco anos pela tentativa de homicídio dos restantes ofendidos. Foram ainda condenados a um ano de prisão por detenção ilegal de arma.

No estabelecimento das penas em cúmulo jurídico, o colectivo teve em conta «a personalidade violenta» dos arguidos, que «não mostraram juízo crítico nem arrependimento em relação aos crimes». Considerou ainda o alarme social causado por este caso com «episódios de violência crescentes na nossa sociedade e nomeadamente na cidade do Porto, junto a estabelecimentos de diversão nocturna».

Disse ainda que os arguidos não mostraram «respeito pela vida humana» e encaram «o uso de armas como demonstração de poder», referindo-se nomeadamente às fotografias que Bruno Pidá tinha na sua página no HI5, em que surgia armado.

«A ponta do iceberg»

O tribunal considerou provados os vários desentendimentos entre o «Grupo da Ribeira» e os irmãos Correia e amigos, mas frisou que «o episódio do La Movida, que alegadamente terá espoletado isto, não passa da ponta do iceberg. O mais importante não se falou e tem a ver com negócios e domínio».

O tribunal decidiu ainda condenar os arguidos ao pagamento de uma indemnização de 113 mil euros à filha de Ilídio Correia e 15 mil à mãe da vítima. Serão ainda pagos 25 mil euros a quatro dos ofendidos (os dois irmãos Natalino e Helder Correia, para além dos amigos Hugo Oliveira, Luís Filipe Costa), já que Paulo Ferreira desistiu.

Pidá foi ainda condenado por um crime de coacção, outro de ofensa à integridade física e 4 de posse ilegal de arma.

Advogado de Pidá vai recorrer

O advogado de defesa de Bruno «Pidá», Luís Vaz Teixeira, já disse que vai recorrer. Considera as penas «injustas», já que Bruno Pinto «continua a clamar inocência».

Lançou ainda algumas críticas, considerando que o veredicto se baseou sobretudo em prova testemunhal. Tal como já tinha feito durante o julgamento, o causídio pôs em causa os testemunhos dos irmãos Correia e referiu-se nomeadamente a um processo em que surgem agora como arguidos. «Andaram a esconder este processo até agora, sabem que são acusados de crimes graves testemunhas importantes neste processo», afirmou.

Vaz Teixeira diz que o seu cliente «deve estar arrasado» com a sentença, mas diz que não está surpreendido com o desfecho. «A investigação já partia do princípio que ele era culpado», disse.

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